A atmosfera na sala ainda pulsava com a energia da espiral de Clarice. A flor de tecido permanecia costurada à tela, irradiando uma serenidade que parecia abraçar a todos. Clarice, ainda com os olhos úmidos, segurava o amuleto prateado contra o peito, como se tivesse guardado dentro dele a voz suave de sua avó.
Leonardo, ao lado dela, respirava fundo. Havia uma inquietação em seus olhos, uma mistura de medo e necessidade. Daniel percebeu isso e, com um gesto, aproximou o cavalete e colocou uma nova tela em branco diante dele.
— A memória que deseja ser curada não pertence mais à Clarice — disse Daniel, sua voz firme, mas doce. — É a sua vez, Leonardo. O fio que você deixou solto está pedindo para ser tecido de volta.
Leonardo aproximou-se lentamente, olhando para a tela como quem encara um espelho. — Meu irmão, Lucas... — a voz dele vacilou, mas ele não desviou o olhar. — Nós crescemos juntos, fizemos tudo juntos. Ele sempre foi meu herói. Até aquele dia...
Clarice colocou a mão no om