Seis meses se passaram desde aquela noite transformadora no jardim. Clarice não manteve a sensação de leveza o tempo todo, como Sol havia previsto, mas ela lembrava. Lembrava-se da conversa, do amanhecer, do cheiro da terra molhada. E, sempre que a antiga Clarice — controladora e ansiosa — tentava ressurgir, ela respirava fundo, fechava os olhos e se permitia sentir o imponderável.
A maior e mais bela mudança em sua vida, porém, foi a pintura. Começou por impulso, com um conjunto de tintas a ól