Mundo de ficçãoIniciar sessão"— Ela acordou do coma. Faça suas malas, seu tempo aqui acabou." As palavras de Vicente foram frias e impiedosas. Com o peito queimando em agonia, Isadora tossiu discretamente, escondendo a mancha de sangue no lenço. ***** Três anos antes, quando Vicente foi reduzido a um "inválido" após um trágico acidente, Isabella, sua noiva original fugiu. Para honrar o contrato de casamento e salvar a família, Isadora, a irmã gêmea, assumiu o lugar da noiva. Ela foi as pernas de Vicente quando ele não podia andar e o pilar que o ajudou a reerguer seu império. Isadora amou seu marido em silêncio, esperando que um dia ele a enxergasse. Mas assim que Vicente recuperou seu poder e saúde, Isabella retornou, mentindo sobre ter passado os últimos anos em um coma profundo. Cego pelas mentiras de seu antigo amor, Vicente expulsa a mulher que foi sua verdadeira salvadora. Com os papéis do divórcio assinados e um diagnóstico terminal, Isadora decide que já sofreu o suficiente. Ela vai embora para viver os meses que lhe restam em paz, encontrando consolo em um médico gentil. No entanto, quando as mentiras de sua irmã desmoronam e a verdade vem à tona, Vicente enxerga quem limpou suas feridas, quem segurou sua mão e quem foi seu verdadeiro anjo. Arrependido, Vicente decide trazê-la de volta, mas descobre um segredo devastador: o tempo de Isadora está se esgotando. O homem que um dia teve o mundo aos seus pés percebe que todo o seu poder e dinheiro não podem recuperar os sentimentos de sua ex-esposa. Agora, Vicente fará o impossível para provar que é digno de uma segunda chance... antes que seja o fim.
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— Três meses, senhora Lancaster. Se tivermos muita sorte, talvez seis. Mas não posso prometer mais do que isso. Olhei para o homem de jaleco branco à minha frente, tentando processar aquele ultimato. — Tem certeza, doutor? Não há nenhum tratamento novo? Uma cirurgia? Meu marido pode pagar os melhores médicos do mundo! O Dr. Arthur suspirou, tirando os óculos e esfregando os olhos cansados. — Sinto muito, minha querida. Você tem Síndrome de Fibrose Pulmonar Necrosante Acelerada. É uma condição raríssima. — Nunca ouvi falar disso na minha vida. — Poucas pessoas ouviram. Seu tecido pulmonar está se destruindo em uma velocidade que a medicina atual não consegue frear. Está necrosando de dentro para fora. — Mas... eu sou jovem. Só tenho sentido essa dor no peito há algumas semanas. Essa tosse que não passa... Achei que fosse apenas uma bobagem até o sangue aparecer. — A síndrome age de forma discreta no início. Quando os sintomas aparecem, como a dor aguda no peito e a tosse com sangue que você relatou, ela já tomou conta dos seus pulmões. É incurável. Incurável. Essa palavra parecia um absurdo. — Então... é isso? Eu vou simplesmente parar de respirar? — Nós vamos te dar o suporte paliativo com oxigênio e morfina, para que você não sinta dor na fase final — ele respondeu, com os olhos cheios de pena. — Você deveria colocar seus assuntos em ordem. Precisa contar para a sua família. Contar para o seu marido. Contar para Vicente... — Vou contar para ele hoje à noite — afirmei, me levantando com dificuldade. Uma fisgada no meu pulmão direito me fez curvar por um segundo, mas disfarcei a careta de dor. — Obrigada por ser sincero comigo, doutor. — Seja forte, Isadora. Estarei à disposição para o que precisar. Saí da clínica com o envelope dos exames apertado nos dedos. Tenho três meses. Talvez seis se tiver sorte. Bem, no momento não me considero uma pessoa muito sortuda. Entrei no carro e voltei para casa. Assim que entrei em casa, fui direto para a cozinha e encontrei a governanta. — Todos os empregados podem ir para casa mais cedo hoje, Antonieta — falei. — Eu mesma vou preparar o jantar do Sr. Lancaster. — Tem certeza, senhora? — Antonieta perguntou, franzindo a testa com preocupação. — A senhora está tão pálida hoje. Parece cansada. Deixe que eu cozinho. — Tenho certeza sim, Antonieta, obrigada. Eu quero fazer uma surpresa para ele. Todos podem ir descansar. — Tudo bem, senhora. Boa noite. Passei as próximas horas cozinhando o prato favorito do meu marido. A cada minuto de frente para o fogão, eu ensaiava as palavras que diria. — "Vicente, eu fui ao médico hoje..." Não, muito formal. "Vicente, as notícias não são boas..." Não, ele vai se assustar. "Vicente... eu só tenho mais três meses com você." Quando a mesa estava posta, fui para a sala de estar. Sentei no sofá, tentando acalmar meu coração que batia rápido de ansiedade. Às oito em ponto, a porta principal se abriu. Levantei rápido demais e uma tosse seca e violenta escapou da minha garganta. Peguei o lenço de tecido no bolso, cobri a boca e, quando olhei, lá estava: a maldita mancha vermelha de sangue fresco. Escondi o tecido bem a tempo de ver Vicente entrar na sala. Dei um passo na direção dele, forçando o meu melhor sorriso. — Boa noite, Vicente. Você chegou mais cedo hoje. Eu fiz o seu prato favorito, o jantar está... — Cale a boca, Isadora. Me surpreendi e o sorriso congelou no meu rosto. — O que aconteceu? Você teve um dia ruim na empresa? — Mandei calar a boca! Não quero ouvir mais nenhuma palavra. — O que deu em você, amor? — Minha respiração falhou, o ar já escasso nos meus pulmões doentes pareceu desaparecer de vez. — Precisamos conversar, Vicente. É sobre a minha saúde. Eu fui ao médico hoje e... — Não dou a mínima para onde você foi! — Ele esbravejou, caminhando até mim. — Vicente, por favor, me escuta um segundo. Eu... — Meu Deus, você não consegue ficar quieta?! Ele enfiou a mão de forma brusca no bolso interno do paletó, puxou um envelope e o jogou no meu peito. Olhei para o envelope fechado e depois para o rosto dele, completamente perdida e com o peito doendo. — O que é isso, Vicente? O homem a quem me dediquei por três anos inteiros, o homem cujas pernas atrofiadas eu massageei todas as madrugadas para aliviar a dor, estava olhando para mim como se eu fosse a criatura mais repugnante do mundo. — Assine — Vicente me encarou com desprezo e disse a frase que daria um fim a tudo. — Eu quero o divórcio.ISADORA VILLANOVA Passava um pouco das onze, quando três batidas suaves na porta chamaram minha atenção. — Pode entrar — murmurei, tentando controlar o tremor na minha voz. A porta se abriu devagar e Henrique passou por ela. Seu cabelo dele estava bagunçado, e um sorriso gentil, charmoso e repleto de segundas intenções, iluminava o seu rosto. Os olhos verdes dele brilhavam de paixão e expectativa. Era óbvio que ele achava que o meu convite noturno era para termos um momento romântico. Senti uma pontada de culpa por ter que estragar aquele clima perfeito. — Oi — ele sussurrou, fechando a porta e trancando-a. — Henrique, por favor... sente-se aqui — pedi, apontando para a beirada da cama.Ele caminhou até a cama e se sentou, apoiando as mãos nos joelhos, me olhando com total atenção e seriedade. — O que aconteceu, Isa? O Vicente fez alguma coisa com você lá no escritório? — Não, ele não encostou em mim — suspirei, sentando-me ao lado dele, mas mantendo uma pequena distância. — M
VICENTE LANCASTERO estrondo da porta do escritório batendo foi apenas uma prévia do que eu realmente queria fazer. Eu estava fervendo. O sangue pulsava nas minhas têmporas e a minha respiração saía pesada, cheia de um ódio que eu mal conseguia conter. Aquele médicozinho de interior teve a audácia de debochar de mim e me insultar na minha cara. Caminhei, ignorando completamente os olhares curiosos e assustados dos outros pacientes espalhados pela sala de estar. Eu só queria sair daquele lugar, respirar o ar puro lá fora e planejar como destruir a arrogância daquele homem. Mas, antes que eu pudesse alcançar a porta de saída, uma figura bloqueou o meu caminho. Parei bruscamente. Era o mesmo velho decrépito de antes. O mesmo maluco que teve o atrevimento de me cutucar com aquela tesoura de jardinagem suja. Ele estava de pé, bloqueando a porta com uma expressão de quem se achava o guardião do lugar. — É melhor você dar o fora daqui de uma vez, lagartixa batida — o velho resmungou, ape
HENRIQUE VALADARESAcompanhei Isadora com o olhar enquanto ela caminhava em direção ao quarto do meu novo paciente. Lembrar do sussurro dela me convidando para ir ao seu quarto esta noite fez o meu peito se aquecer e o meu coração acelerar. Mas, pensando melhor agora, acho que ela quer conversar sobre algo sério. Afastei os pensamentos negativos e me virei para ver a bagunça que havia ficado para trás.Entrei no meu escritório. Vicente estava de pé no meio do cômodo, espanando uma poeira invisível dos joelhos da sua calça. Será que Isadora deu um chute nele? Eu gostaria de ter visto isso... Fechei a porta atrás de mim e me encostei, cruzando os braços de forma relaxada, bloqueando a saída dele. — Espero que, depois dessa conversa muito esclarecedora, você pare de incomodar a minha paciente daqui em diante, Lancaster. Vicente parou de arrumar a roupa e ergueu o rosto para me encarar. Os olhos dele jorravam ódio em minha direção. — Os meus assuntos com a Isadora não tem nada a ver
ISADORA VILLANOVA— Então, por favor... vamos nos divorciar.Vicente balançou a cabeça de forma frenética, negando meu pedido. — Não! — ele gritou. — Eu nunca vou assinar esses papéis, Isadora. Eu nunca vou me divorciar de você. Você é e sempre será a minha mulher!Era irritante como tudo tinha que ser do jeito dele. Vicente estava começando a parecer uma criança birrenta aos meus olhos. — Tudo bem, Vicente — respondi de forma direta. — Se você não quer assinar, não faz a menor diferença. Em poucos meses você se tornará viúvo de qualquer forma. A natureza vai fazer o trabalho que os advogados não vão fazer. Mas eu não vou embora daqui com você. O meu lugar agora é nesta clínica. Não esperei por mais súplicas ou promessas vazias. Virei as costas para ele, que continuava no chão como um homem derrotado e saí do escritório. A poucos passos de distância, estava Henrique. Ele tinha os braços cruzados e olhar fixo na porta, claramente pronto para intervir. Caminhei até ele e abri um p





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