4 - Livre para a minha Elise

VICENTE LANCASTER

Três anos. Foi o tempo que levei para ter meu mundo de volta.

Cada sessão de fisioterapia excruciante, cada queda, cada lágrima de ódio que derramei enquanto minhas pernas não respondiam... tudo foi por ela. Isabella era o meu mundo. Quando o pai dela me disse que ela estava em um coma profundo após um acidente na Suíça, tudo desabou, mas consegui voltar a andar para recebê-la de pé.

E agora, ela estava aqui. Seus lábios eram tão macios quanto eu me lembrava e seu perfume doce me embriagava. Ter Isabella em meus braços era a prova de que todo o meu sacrifício valeu a pena.

Um barulho vindo do corredor nos interrompeu.

— O que foi isso? — Isabella sussurrou, encolhendo-se contra o meu peito como um passarinho assustado.

— Fique aqui.

Caminhei até a porta e a abri bruscamente. O corredor estava vazio, mas ao longe, vi o vulto de uma mulher se afastando. Era Isadora. No chão, logo abaixo de mim, havia um molho de chaves.

Abaixei-me e as peguei. Eram as chaves da mansão e do cofre privado. Senti uma sensação de sufocamento que não consegui explicar. Por um segundo, a imagem de Isadora passou pela minha cabeça.

— Vicente? — a voz doce de Isabella me chamou de volta e ela me abraçou por trás, escondendo o rosto em minhas costas. — Era ela, não era?

— Sim. Ela deixou as chaves. Finalmente entendeu que o tempo dela acabou.

Virei-me para encará-la e perdi o fôlego por um instante. Era impressionante como Deus podia criar dois seres tão idênticos fisicamente e tão diferentes na alma. Isabella tinha o rosto em formato de coração, os olhos cor de mel brilhavam com uma luz pura e cabelos longos e ondulados em um tom de castanho-escuro. Isadora era o seu espelho exato, mas para mim, ela sempre foi mais sombria. Uma mulher interesseira que aceitou um contrato para ocupar um lugar que nunca seria dela.

Oito anos atrás, pedi aos meus pais para salvar os Villanova da falência porque no momento que vi Isabella decidi que a queria como esposa.

— Ela me olhou de um jeito tão estranho — Isabella murmurou, fazendo um bico magoado. — Senti que ela me odeia, Vicente.

— Ela não tem esse direito. Isadora foi muito bem paga por esses três anos.

— Mas ela roubou a minha vida! — Isabella exclamou, os olhos enchendo-se de lágrimas. — Enquanto eu estava naquele hospital, ela estava aqui. Ela ocupou o meu lugar de forma oportunista. Se ela tivesse dignidade, teria esperado por mim, não teria tentado se tornar a verdadeira senhora Lancaster.

— Você está certa, meu anjo. Ela é uma aproveitadora. Eu estava vulnerável e ela se infiltrou na minha vida.

— Ouvi dizer que no contrato de casamento o nosso pai exigiu dois milhões de dólares em caso de divórcio — Isabella disse, limpando uma lágrima. — Ela vai sair daqui rica à custa da minha tragédia. Isso é justo?

— Ela não levará um único centavo. Vou chamar meus advogados e Isadora Villanova vai sair desta casa exatamente como entrou: sem nada.

— Você faria isso por mim? — Ela me olhou com adoração.

— Eu faria qualquer coisa por você.

Isabella sorriu, depois de me fazer enxergar a verdade: Isadora era apenas uma Villanova gananciosa, como o resto da família dela. Isabella era a única alma limpa naquela família.

Caminhei em direção à porta.

— Aonde você vai, meu amor?

— Vou exigir o contrato original e mostrar a ela que não sou um idiota.

Subi as escadas a passos largos. Parei diante da porta do quarto e escancarei a porta com força.

— Isadora! Você vai assinar a renúncia de todos os bens e me entregar o contrato original agora!

O quarto não tinha nenhum sinal dela. Caminhei até a cama de casal, no centro do edredom, repousavam dois envelopes e uma aliança.

— Isadora? — chamei, mas não houve resposta.

Peguei os documentos. O primeiro era o acordo de divórcio que eu havia jogado nela mais cedo. Estava assinado.

O segundo era o contrato de casamento original. Procurei a cláusula 14. A cláusula que garantia a ela uma compensação de dois milhões de dólares e uma pensão vitalícia se eu pedisse o divórcio sem justa causa.

Meus olhos se arregalaram ao ver que o documento foi redigido.

Dizia que ela não tinha direito a nada, onde deveria estar o valor da fortuna.

Por que ela desistiria de uma fortuna? Por que uma oportunista sairia de mãos vazias?

Apertei o papel entre os dedos. Isso era perfeito! Eu tinha economizado milhões. E finalmente estava livre para a minha Isabella.

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