A noite já havia se instalado por completo quando Helena percebeu que não conseguiria dormir.
A casa estava quieta de um jeito diferente. Não o silêncio comum que acompanhava o fim de um dia cheio, mas um silêncio atento, quase expectante, como se cada parede estivesse consciente de algo prestes a acontecer. As luzes estavam baixas, estrategicamente suaves, e o relógio na sala marcava um horário que normalmente significava descanso. Mas naquela noite, descanso parecia impossível.
Helena estava sentada na beirada da cama, ainda vestida, com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando organizar pensamentos que se recusavam a se alinhar. A conversa do início da noite voltava em fragmentos. As palavras ditas. As que não foram. O modo como Adrian a olhava, sem pressa, sem cobrança, mas com uma intensidade que não pedia licença.
Ela respirou fundo.
Não era medo exatamente. Era consciência. Aquela sensação rara de saber que algo importante estava prestes a acontecer e que, depois disso, não haver