A casa nunca pareceu tão grande.
Adrian percebeu isso no terceiro dia sem Helena. Não no primeiro, quando tudo ainda parecia provisório. Nem no segundo, quando a rotina insistia em fingir normalidade. Foi no terceiro, quando a ausência deixou de ser ruído e passou a ocupar espaço.
Ele acordou cedo, como sempre. Preparou o café de Matteo. Organizou horários. Conferiu mensagens. Tudo funcionando. Tudo correto. E, ainda assim, algo estava fora do lugar.
A cadeira vazia à mesa não era apenas um espaço físico. Era um lembrete.
Matteo falava menos, mas observava mais. Adrian percebia nos pequenos detalhes: no jeito como o menino deixava o desenho inacabado, no silêncio prolongado antes de dormir, na pergunta não feita que ficava suspensa no ar.
— A Helena vai voltar hoje? — perguntou Matteo naquela manhã, fingindo desinteresse.
— Amanhã — respondeu Adrian. — Ela vem com o filho.
Matteo ergueu o olhar, curioso.
— Ele é legal?
Adrian sorriu de leve.
— Acho que sim.
Não disse mais nada, mas se