Mundo ficciónIniciar sesiónEla tinha apenas 7 anos quando viu seus pais serem brutalmente assassinados pelos chefes do tráfico de sua comunidade. Naquele instante, jurou a si mesma que acabaria, de uma vez por todas, com o tráfico de drogas que destruía tantas vidas. Os anos passaram e dela surgiu uma policial extremamente talentosa. Durante sua jornada, ela descobre que o tráfico vai muito além das comunidades: envolve empresários, políticos e magnatas poderosos. Para desmontar esse esquema quase impossível, ela precisa ir além da lei e de seus próprios limites. Com uma extensa lista de nomes influentes, ela se infiltra na vida de cada um deles, mergulhando em um universo perigoso, onde cada passo em falso pode ser fatal. Com habilidades nunca vistas antes, a policial disfarçada se transforma exatamente no que cada chefão precisa: cuidadora de idosos, amante e assistente pessoal. Mas o destino se mostra traiçoeiro quando ela encontra o mais poderoso de todos. Um homem de coração frio, imune a seus encantos, cuja única fraqueza é o próprio filho. Surge, então, sua missão mais difícil: tornar-se a babá perfeita. O problema é que se infiltrar na vida de alguém pode ser ainda mais complicado quando essa pessoa se infiltra primeiro em seu coração.
Leer másUma policial disfarçada vinha desmembrando um perigoso esquema de tráfico de drogas, trazendo a público uma lista extensa de criminosos que a sociedade jamais imaginou estarem envolvidos. Dentre eles, um dos nomes mais citados era o do governador do estado, preso ontem pela polícia.
Eu ouvia a reportagem na TV enquanto fazia um enorme traço de caneta vermelha no último nome da minha lista. Eu não conseguia acreditar que aquele pesadelo estava chegando ao fim. Quarenta e oito pessoas, todas da grande elite brasileira, haviam sido presas por minhas mãos. Eu me sentia em paz. Embora fosse uma das pessoas mais procuradas do país e precisasse trocar de identidade a todo momento, eu me sentia realizada por ter atingido meu objetivo. Tomei um banho, deitei na cama, coloquei uma música calma e fiquei ali, olhando para o teto, até adormecer. Abri os olhos segundos depois ao ouvir gritos e um choro conhecido. Levantei da cama correndo e abri a porta. O grito parecia vir da esquina. Corri o máximo que consegui. Alguém precisava de ajuda. Assim que cheguei em frente a uma pequena quadra de futebol, vi um cenário devastador. Minha mãe estava de joelhos, com as mãos amarradas para trás. Ao lado dela, meu pai jazia caído, desacordado. Atrás deles, havia mais umas dez pessoas que eu não reconhecia. Minha mãe chorava e gritava, apavorada, dizendo que aquilo era um engano, implorando por clemência, por piedade. Eu fiquei estagnada. Não conseguia me mexer. Parecia que meus pés estavam colados ao chão. Um homem de pele morena, usando um short estranho e com diversas tatuagens pelo corpo, que apareciam sob um colete largo, levou a mão atrás das costas, puxou um revólver e encostou a arma na cabeça do meu pai. Ele não fechou os olhos, tampouco tremeu. Encostou o cano ao ouvido dele e disparou. O barulho do tiro se misturou ao grito de desespero da minha mãe, que ecoou dentro da minha cabeça por longos segundos. Mas foi interrompido por outro disparo, desta vez no meio da testa dela. O sangue escorreu pelo canto da sua boca enquanto ela caía lentamente ao lado do meu pai. O sangue dos dois se misturou naquela rua suja, formando uma poça diante dos meus olhos. O homem os observou sem nenhum remorso, guardou a arma e saiu andando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Senti meus olhos arderem como fogo. Uma lágrima quente escorreu pelas minhas bochechas. Não tive forças para sair dali. Tentei gritar, mas a voz não saiu. Caí de joelhos no meio da rua — e acordei em desespero. Eu estava encharcada de suor. Aquela cena me aterrorizava havia anos. Sentei na cama e respirei fundo. Anos e anos haviam passado, mas eu revivia a mesma cena com frequência. O grito da minha mãe, o choro, o sangue, tudo era exatamente igual. Nada mudava. Dei um soco na cama enquanto reprimia o choro. Olhei para a foto deles sobre a cômoda e caminhei até lá. Dei um beijo nos dois e sussurrei: — Eu consegui. Como prometi a vocês. Eu desmontei o esquema que destruiu nossa família. Esses miseráveis vão pagar por tudo o que fizeram. Peguei a lista na gaveta e a encarei, relembrando o rosto de cada um. O quanto pareciam simpáticos. O quanto pareciam intocáveis. Minha jornada não havia sido fácil. Desde a morte dos meus pais, eu me dediquei a destruir aquele maldito crime. No começo, observava os traficantes escondida. Sabia onde e quando as drogas chegariam, quem traria e então ligava e denunciava. Mas os anos passaram, e eu percebi que nada mudava. Sempre havia mais e mais chegando. Foi nesse momento que entendi: para acabar com aquilo, eu precisaria ir além. Me formei, entrei para a polícia e me dediquei a investigar toda aquela podridão. Minhas suspeitas se confirmaram. A droga não vinha das favelas. Muito pelo contrário. Aqueles que comandavam ali, por mais ruins que fossem, serviam apenas como estepe. Quando morriam, eram rapidamente substituídos. Foi assim com o assassino dos meus pais. Após uma investigação minuciosa e detalhada, descobri uma lista com os principais chefes. Para minha surpresa, eram todos da alta sociedade: empresários, políticos e muitos outros. Fiz uma denúncia formal e, após isso, virei motivo de piada. Meu superior me olhou nos olhos. — Você acha mesmo que isso é uma surpresa? — Acha que não sabemos quem eles são ou o que fazem? — Escuta, menina, você ainda tem muito o que aprender. — Eles são poderosos. — A gente não pode simplesmente dar voz de prisão para eles. Caso contrário, corre o risco de perder até o emprego. — Você não tem ideia de onde está se metendo. É melhor fingir que nada aconteceu. — E jogue essa lista fora. Eu não estava disposta a fazer aquilo. — Eu não sei exatamente o que acontece aqui dentro, mas de uma coisa eu tenho certeza: me tornei policial para combater o crime, não para apoiá-lo. Se ninguém faz nada, se vocês não são bons o suficiente para destruir essa corja… eu farei isso sozinha. Saí da sala deixando a porta bater. Depois daquele dia, tracei um plano infalível. Eu sabia que não dava para subir de uma vez. Então comecei riscando os alvos mais fáceis, até chegar ao maior de todos. Passei a me infiltrar no meio deles. Bebia do que bebiam — e muitas vezes vomitava depois, ao ver os sorrisos de alguns. Segui meu plano um por um. Estudava cada homem, conhecia seus pontos fracos e era exatamente ali que eu atacava. Primeiro, chamava a atenção. Meus cabelos pretos, longos e ondulados, caindo sobre a pele branca, contrastavam com meus olhos castanhos. Era uma arma infalível. Tudo começava por aí. A arte da sedução. Minha pior e melhor arma contra todos eles. Homens perdem a cabeça facilmente quando o assunto é mulher. Com aqueles lixos, não foi diferente. Depois vinha a confiança. Mais demorada, mais delicada. Mas quando se tem uma mãe idosa, uma esposa infeliz ou problemas na empresa, ter alguém por perto faz toda a diferença. Esse foi o erro de todos eles: se deixar levar pelo emocional e acreditar que se pode confiar em alguém que te abraça nos momentos difíceis. Cuspi na cara de cada um quando foram algemados e levados à delegacia. Minha vingança estava completa. Eu havia destruído o poderoso império dos Intocáveis. Olhei pela janela. Já era noite. Eu não conseguiria dormir — nunca conseguia depois daqueles pesadelos. Sempre que sonhava com meus pais, passava o resto da noite acordada. Juntei os papéis da investigação, empurrei tudo para dentro da gaveta, tranquei, coloquei a chave no bolso e saí para um barzinho próximo dali.Enquanto caminhava até o bar, uma inquietação insistia em me acompanhar.
Por que eu havia sonhado com meus pais justamente agora? Eu já tinha prendido todos. Cada nome da lista havia sido riscado. Então por quê? Seria aquele o último sonho? Ou havia algo errado? Não consegui ficar muito tempo ali. O barulho, as vozes, tudo me incomodava. Voltei para casa antes mesmo de terminar o primeiro copo. Passei o resto da noite em uma pesquisa minuciosa. Revirei relatórios, escutas, planilhas, depoimentos. Cruzei dados que eu já havia cruzado antes. Analisei detalhes que, até então, pareciam irrelevantes. Horas depois, encontrei algo que me deixou imóvel diante da tela. Um nome. Um único nome aparecia ligado aos quarenta e oito presos. Em todas as provas que eu havia coletado, direta ou indiretamente, aquele mesmo nome surgia. Sempre à margem. Sempre intocado. Como eu pude deixar aquilo passar? Como não percebi algo tão óbvio? Peguei a lista da gaveta mais uma vez e respirei fundo. Abaixo do último nome riscado, escrevi o número 49 e tracei uma pequena seta vermelha.Ruan Muniz Garcia. Minha caçada começava naquele momento. E a destruição dele estava próximaO dia amanheceu e eu continuava olhando para o teto. Não consegui dormir.Mais uma vez o pesadelo me assombrou. E, misturado a ele, o choro daquele menino ecoava na minha cabeça.Levantei cedo. Antes mesmo do café, precisei preparar a mamadeira.Onde eu tinha me metido?O que exatamente eu estava fazendo?Eu sempre me virei sozinha, agora era obrigada a cuidar de uma criança.Ele acordou pouco depois. Tomamos café — se é que se pode chamar de café a correria entre colheradas e pequenos respingos de leite.Depois disso, comecei a brincar com ele.Liguei no trabalho e pedi alguns dias. Meu chefe não fez nenhuma objeção e eu agradeci por isso.O bebê ainda estranhava o ambiente e consequentemente me estranhava também. Eu nem sabia o nome dele.Resolvi lhe dar um banho, enquanto fazia isso, resolvi chamá-lo de Théo.— Théo...Ele sorriu.Meu coração vacilou.Achei que seria um bom nome. Nos arquivos não constava nada sobre aquele homem, muito menos sobre o menino. Era como se eles não exi
A criança em meus braços estremeceu. Ninei-a cautelosamente para que não chorasse. Pra minha sorte, ela continuou a dormir.Minhas pernas estavam trêmulas. Me virei devagar para ver o que estava acontecendo.Aquele homem estava caído no chão, bem na frente do galpão. Uma poça de sangue escorria à sua volta. Foi impossível não lembrar da cena dos meus pais.Outros dois carros apareceram e, a partir daí, foi só disparos e mais disparos.Saí apressada, tentando evitar que eu ou a criança fôssemos alvo de bala perdida.Foi um sacrifício enorme pilotar com uma criança, mas eu não tive escolha. A pé seria bem mais complicado.Cheguei em casa e a imagem daquele homem ensanguentado no chão não saía da minha cabeça. Para piorar a situação, eu agora estava com o filho dele.Certamente ele havia morrido. Para quem eu entregaria aquele menino?Onde havia se metido a mulher que estava com ele quando socorria o bebê para o hospital? Ela provavelmente seria a mãe.Era problema demais para assimilar.
A rua estava muito movimentada. A van corria muito e eu me esforçava para não perdê-los de vista.Pra um homem tão rico, ele tinha péssimos seguranças. Como conseguiram roubar um bebê tão fácil?Por mais que o pai fosse um monstro, aquela criança não tinha culpa e não merecia sofrer as consequências.Senti uma movimentação estranha atrás de mim. Olhei pelo retrovisor e vi três carros pretos surgirem em alta velocidade.Ele certamente já havia ficado sabendo.Me concentrei na van que seguia à frente.O sinal estava quase fechando. Foi o suficiente para que eu conseguisse passar. O sinal fechou e um caminhão enorme veio na direção oposta, obrigando os carros atrás de mim a frear.Provavelmente os caras da van comemoraram. Acho que não haviam percebido que eu também estava seguindo.Adentraram uma estrada deserta e pararam em frente a um galpão.A ruiva entrou empurrando o carrinho enquanto a criança chorava freneticamente.Três homens desceram do carro. Um deles falava ao celular. Aquil
Cheguei em casa, atirei a bolsa em cima do sofá com força, depois dei alguns golpes em cima da mesa que ainda tinha alguns papéis espalhados.Debruçada junto deles, uma lágrima insistiu em escorrer pelo meu rosto, mesmo reprimida.Ergui a cabeça vagarosamente. Havia um peso enorme nas minhas costas, era como se o mundo inteiro estivesse ali.Me senti impotente. Tentei ser forte como nas outras vezes, mas a frustração que me consumia era tão grande que eu me deixei levar.Virei de costas para a mesa, deslizei vagarosamente até encontrar o chão. Feito isso, encolhi minhas pernas até que minhas mãos conseguissem abraçá-las. Com o rosto apoiado nos joelhos, deixei que as lágrimas inundassem meu rosto.O celular tocou na bolsa, mas eu não levantei para atender.Tocou novamente e eu ignorei por completo.Adormeci ali. Mais uma vez o pesadelo de sempre me assombrou.Acordei ensopada de suor, tomei um banho e comecei a andar de um lado para o outro.Por que eu estava me entregando tão facilme
Depois de um banho quente no final da tarde, minha mesa se encontrava repleta de papéis novamente. Mas dessa vez a razão era outra.Eu precisava de uma técnica infalível. Eu seria a babá perfeita.Eu sabia que haveria uma seleção na mansão com algumas candidatas escolhidas a dedo.Pra minha sorte, os homens de mais cedo eram um tanto descuidados e forneceram até mais do que eu precisava.Eu passaria naquele teste, custe o que custasse. Era tudo que eu conseguia pensar.Na manhã seguinte, quando o despertador tocou, eu já estava acordada.Me arrumei e saí rumo à mansão.Quatro mulheres aguardavam no portão.Todas seguravam uma cópia do anúncio que havia sido publicado no site.Uma loira de cabelos compridos era a primeira da fila e tremia enquanto segurava o papel.Depois dela, duas morenas conversavam sobre algo e sorriam. Pareciam ser próximas, embora fossem concorrentes. Agiam com naturalidade, como se não se importassem com quem seria a escolhida.Por fim, uma ruiva de meia estatur
Depois que cheguei em casa, minha cabeça doía. O celular estava repleto de mensagens. Desde quando o Jhey se preocupava tanto comigo? Um novo bip e a mensagem chegou: Dá pra abrir essa porta?Sorri enquanto jogava o celular em cima do sofá.— O que você tá fazendo aqui? — falei assim que destranquei.— Nossa, bela recepção. O que você tá fazendo? Por que está sumido desse jeito?— Como assim sumindo? Do que você tá falando?— Você tá estranha, acha que não percebi? Você tá me escondendo alguma coisa.— Claro que não, sai dessa. Só problemas demais no trabalho.— Eu trouxe comida — falou enquanto levantava as sacolas com o nome do restaurante da esquina.— Entra aí — falei, escancarando a porta.— Você é uma interesseira, sabia?O riso foi inevitável.— Não sei do que você tá falando.— Eu poderia voltar daqui e te deixar sozinha.— Anda logo, essa comida vai esfriar. Já que você já trouxe, temos que comer. Era só o que faltava.— Não vai mesmo me contar o que está acontecendo? — ele










Último capítulo