Helena não conseguiu dormir direito naquela noite.
Não por insônia comum, mas por uma inquietação que se alojou no corpo como um aviso. Cada vez que fechava os olhos, a conversa com Adrian voltava em fragmentos. As palavras ditas. As que ficaram suspensas. A forma como ele não tentou segurá-la, não exigiu nada, não se colocou como centro.
Aquilo a desarmava.
Ela sempre soube lidar com homens que queriam demais. Com pressa. Com expectativa. Sabia reconhecer o peso da intenção antes mesmo de qualquer gesto. Mas Adrian era diferente. Ele queria… e, justamente por isso, continha-se.
O amanhecer chegou antes que ela percebesse.
Helena levantou-se cedo, como sempre. Vestiu o uniforme, prendeu o cabelo, respirou fundo diante do espelho. O reflexo devolveu uma mulher cansada, mas inteira. Ainda inteira.
Na cozinha, preparou o café em silêncio. A casa despertava devagar. Matteo ainda dormia. Os sons eram mínimos. Tudo parecia em pausa.
Adrian entrou alguns minutos depois.
Havia algo diferente