Helena sempre soube reconhecer o perigo.
Não o perigo óbvio, barulhento, que se anuncia antes de chegar. Mas aquele outro, silencioso, que se instala devagar, se disfarça de rotina e começa a pedir espaço sem jamais exigir. Era esse tipo de perigo que agora a inquietava.
Não Victor. Não ameaças. Não o passado.
Era a casa.
A forma como ela passou a reconhecer o som dos passos de Adrian no corredor. Como antecipava os horários de Matteo sem consultar a agenda. Como se pegava pensando duas vezes a