Helena sempre soube reconhecer o perigo.
Não o perigo óbvio, barulhento, que se anuncia antes de chegar. Mas aquele outro, silencioso, que se instala devagar, se disfarça de rotina e começa a pedir espaço sem jamais exigir. Era esse tipo de perigo que agora a inquietava.
Não Victor. Não ameaças. Não o passado.
Era a casa.
A forma como ela passou a reconhecer o som dos passos de Adrian no corredor. Como antecipava os horários de Matteo sem consultar a agenda. Como se pegava pensando duas vezes antes de aceitar convites simples que a manteriam fora por mais tempo.
Nada disso era parte do contrato.
Naquela manhã, Helena organizava o quarto de Matteo enquanto ele estava na escola. Dobrou roupas, separou materiais, alinhou livros na estante. Gestos mecânicos, treinados. Ainda assim, havia algo de excessivamente cuidadoso ali. Um zelo que ultrapassava o necessário.
Ela parou.
Respirou fundo.
— Não é seu — murmurou para si mesma.
O quarto não era seu território emocional. Matteo não era seu