ATÉ QUE A TRAIÇÃO NOS SEPARE

ATÉ QUE A TRAIÇÃO NOS SEPAREPT

Romance
Última actualización: 2026-03-09
Tônia Fernandes   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Faltavam apenas trinta dias para o casamento quando ela, ao entrar no apartamento que havia adquirido para iniciar uma nova vida, fez uma descoberta devastadora. — Deparou-se com uma cena inimaginável: seu noivo na cama com sua própria irmã. Essa traição rasgou seu coração e destruiu a confiança que acreditava ter construído. — O impacto dessa cena horrenda não se limitava à sua união, mas também afetava laços familiares que julgavam inquebráveis. Sentindo-se humilhada e com o coração partido, ela saiu correndo, sem saber aonde ir, enquanto sua mente estava em um turbilhão de emoções. — O desespero a envolvia como uma névoa densa, dificultando a respiração e o pensamento. Ao atravessar o corredor do prédio, as lágrimas em seus olhos a impediam de notar quando esbarrou em um desconhecido. —Kevin, que também passava por um momento de dor, lutava contra a traição que havia sofrido. Recém-divorciado, ele foi deixado à deriva após descobrir a infidelidade de sua esposa, o que o lançara em uma tempestade emocional. — Ele havia perdido não só o amor, mas também a vida que havia sonhado construir ao lado dela, sendo forçado a recomeçar e buscar refúgio no único amor verdadeiro que lhe restava: seu pequeno filho. Assim, esses dois estranhos, conectados por corações partidos e uma dolorosa realidade, simbolizavam uma nova geração de vítimas das fraquezas humanas.

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Capítulo 1

####PRÓLOGO

A TRAIÇÃO

Entrei no prédio com um sorriso no rosto, o celular encostado no ouvido e duas caixas no braço.

— "Daqui a trinta dias você vai se tornar uma mulher casada," disse Madison, minha melhor amiga e madrinha de casamento, animada do outro lado da linha.

Ri enquanto caminhava até o elevador, ainda pensando na grande mudança por vir.

—"Eu ainda nem consigo acreditar nisso," admiti, cheia de entusiasmo e nervosismo.

"Você vai ver como é bom," continuou Madison, com sua típica energia contagiante.

"Bom o quê?" perguntei, curiosa. Ela riu de forma provocadora.

—"Fazer amor." Revirei os olhos ao lembrar das conversas passadas.

"Para com isso. Você sabe que eu nunca fiz com ninguém." "Nem com o seu noivo?" ela insistiu. "Claro que não!

—Você sabe que sempre quis esperar," respondi, reafirmando minha decisão.

O elevador chegou ao andar e saí dele ainda sorrindo, repleta de expectativa sobre o futuro.

"E eu só estou vindo aqui agora porque Jason não está," continuei.

— "Você sabe disso. Ele nem mora aqui ainda.

Eu comprei este apartamento para nós dois e estou decorando tudo com carinho."

—A cada item que escolhia para o décor, do sofá ao papel de parede, sentia as imagens do nosso futuro juntos ganhando vida.

Quando cheguei à porta, passei o dedo no painel digital, e a fechadura liberou com um leve clique; a porta se abriu sem fazer barulho.

—Entrei e parei, ouvi uma música suave tocando dentro do apartamento, criando uma atmosfera acolhedora e romântica.

"Você está escutando o que eu estou escutando?" perguntei, franzindo a testa, um nó se formando na minha barriga.

"Sim," respondeu Madison, com um tom de voz que parecia deslocado.

— "Música." Meu coração deu um pequeno sobressalto, lembrando-me de como a melodia suave poderia contrastar com a tensão crescente no ar.

"Você não disse que não tinha ninguém aí?"

— "Não tem," respondi, olhando ao redor da sala que eu havia decorado com tanto carinho.

—"Nunca tem. Eu ainda estou decorando o apartamento."

O silêncio que se seguiu pesava nos meus ouvidos; a música parecia se intensificar, ecoando minhas preocupações.

— "Então, quem está aqui?" perguntei, a sensação de desconforto se intensifica a cada segundo.

"Eu vou desligar. Depois a gente se fala." Com um movimento brusco, desliguei e coloquei as caixas que havia trazido sobre a pequena mesa da sala.

—Foi nesse momento que percebi a mesa de jantar posta com pratos usados, taças de vinho e restos de comida, causando um nó no meu estômago.

Então, notei uma bolsa feminina sobre a cadeira, uma bolsa que definitivamente não era minha.

—Meu coração começou a disparar como se quisesse escapar do meu peito.

Um som baixo vindo do corredor capturou minha atenção, vindo da suíte que deveria ser minha.

— Caminhei lentamente até lá, com as mãos geladas e o coração acelerado.

A porta do quarto estava entreaberta e, com uma mistura de curiosidade e medo, empurrei-a um pouco mais.

Então, o mundo desmoronou diante dos meus olhos.

—Meu noivo estava na cama.

Jason Benedict estava com uma mulher, totalmente envolvida um no outro em um momento que destruiu todos os planos que eu havia feito.

— Por alguns segundos, não consegui respirar, e então o grito irrompeu da minha garganta como um eco de dor:

"O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?!"

Ele levantou a cabeça rapidamente; primeiro parecia assustado, mas logo me reconheceu e um sorriso lento surgiu em seu rosto.

—Então, a mulher ao seu lado também ergueu a cabeça.

Ao ver seu rosto, o chão sob meus pés parecia se desvanecer.

—Priscila Hill. Minha irmã. Ela soltou uma risada debochada, totalmente sem vergonha, como se a situação fosse um jogo. "Ih… Fomos pegos no flagra."

Meu corpo inteiro tremia de incredulidade e raiva.

"Vocês estão loucos?" minha voz falhou, mal conseguindo processar a realidade diante de mim.

— "Jason, você está me traindo com a minha própria irmã?"

Ele deu de ombros, mantendo-se impassível.

— "Você está vendo errado!"

"Errado?" ri nervosamente, como se tentasse encontrar sentido no absurdo.

"Dentro de trinta dias nós vamos nos casar!"

—A indiferença dele e de Priscila era como um golpe direto no meu coração.

Ela apenas se recostou no travesseiro, completamente tranquila. "Demorou a descobrir, irmãzinha."

—Nesse momento, senti algo dentro de mim se partir, como se a confiança e o amor que tinha se desintegrassem.

"Como você pôde fazer isso comigo?" Jason passou a mão pelos cabelos, irritado, como se eu fosse a causa de todo o problema.

— "Vamos parar com todo esse drama, Abigail." "Drama?" questionei, minha voz subindo com a indignação.

— "Isso mesmo," ele confirmou, desconsiderando meu sofrimento.

Ele finalmente se levantou da cama, sem pressa, e declarou: "Eu nunca quis casar com você." Fiquei olhando para ele, completamente confusa.

"O quê?" "Seu pai queria esse casamento.

—Ele me deu uma promoção na empresa, um cargo melhor." Meu peito apertou ao perceber a verdade por trás de suas palavras.

"Então foi isso? Você estava comigo por interesse?"

Priscila riu novamente, divertindo-se com a situação.

— "Não seja ingênua." Minhas mãos começaram a tremer. Arranquei o anel do dedo e, em um ato de desespero, gritei: "Então fique com ele!"

"Saiam do meu apartamento agora!" Exigi com minha voz trêmula.

"Eu vou embora, mas quando eu voltar, quero vocês dois fora daqui."

Priscila, com um sorriso zombeteiro, cruzou os braços.

—"O casamento está cancelado," completei, jogando o anel de noivado no chão, sentindo meu coração despedaçar.

Ela inclinou a cabeça e soltou outra risada, como se estivesse assistindo a um espetáculo cômico. —"Demorou a descobrir, irmãzinha," ela debochou, ignorando meu sofrimento.

Revoltada e sem forças, não aguentei mais ficar ali.

Peguei minha bolsa e saí quase correndo do apartamento, as lágrimas já escorrendo pelo meu rosto quando atravessei o corredor.

Nesse momento, trombei em alguém. Um homem enorme, quase dois metros de altura.

— Bati contra ele e acabei caindo sentada no chão.

"Ei!" ele disse, surpreso, se abaixando imediatamente.

—"Você está bem?" Levantei os olhos, e ele me ajudou a levantar, percebendo que eu estava chorando.

— "O que aconteceu?" Passei a mão pelo rosto, tentando limpar as lágrimas.

—"Nada… quer dizer… eu acabei de pegar o meu noivo transando com a minha própria irmã."

Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso com a gravidade da situação.

—"No apartamento que eu comprei… onde nós íamos morar depois do casamento," completei, a dor transbordando das minhas palavras.

Ele me observou por alguns segundos e então perguntou com calma: "Você acha que vale a pena chorar por alguém que te traiu?"

— Balancei a cabeça, tentando respirar.

—"Mas a minha irmã… eu sempre soube que ela era mimada… mas nunca imaginei que fosse tão pérfida."

Ele soltou um suspiro, refletindo sobre sua própria experiência.

— "Traição… às vezes é uma sorte descobrir antes do casamento.

Pode parecer um golpe duro, mas, em muitos casos, dá uma chance de escapar a tempo."

Olhei para ele, intrigada.

— "Eu descobri depois de seis anos de casamento," continuou ele, com a voz carregada de amargura.

Franzi a testa ao ouvir suas palavras, ele sorriu amargamente, lembrando-se da cerimônia. —"Quando nos casamos, o padre diz: na alegria e na tristeza, na doença e na saúde, até que a morte nos separe."

Ele fez uma pequena pausa, e a tristeza em seu olhar me tocou.

— "Eu digo diferente."

Fiquei em silêncio, absorvendo suas palavras.

—"Na alegria e na tristeza… na doença e na saúde… até que a traição nos separe."

Por um instante, fiquei em silêncio, e então acabei soltando uma gargalhada nervosa.

— "Eu nunca tinha pensado dessa forma."

Ele me observou, interessado.

"Venha até o meu apartamento para você se acalmar.

Você não vai conseguir dirigir assim." Balancei a cabeça, hesitante.

— "Eu não entro em apartamento de estranhos."

Ele então estendeu a mão e, com um sorriso, se apresentou: "Prazer. Meu nome é Kevin."

—Respirei fundo, relutante, até que finalmente disse: "Abigail." Ele assentiu, encorajando-me.

"Então venha até o meu apartamento, Abigail. Meu filho está lá em cima com a babá. Não estaremos sozinhos."

—Hesitei por alguns segundos, mas acabei o acompanhando, sentindo que talvez fosse uma boa ideia.

Quando entramos no elevador, a curiosidade tomou conta de mim e perguntei: "Você mora na cobertura?"

—Ele sorriu levemente, sua expressão suavizando. "No triplex."

Quando chegamos ao andar superior, ele passou a mão no painel digital e a porta se abriu.

—Assim que entramos, um menino correu pela sala exclamando: "Papai!"

Ao me ver, ele parou de repente, ficou envergonhado e olhou para o meu rosto.

—"Você tá chorando…" Balancei a cabeça e disse: —"Não foi nada, querido." O menino se aproximou, preocupado: "Não chora… o papai chorou também… mas ele não chora mais."

Kevin sorriu para o menino, acariciando seus cabelos enquanto perguntava: "Onde está a tia Nancy?" —"Na cozinha," respondeu o garoto. Kevin então a chamou: "Nancy."

A babá apareceu rapidamente.

"Traga um copo de água, por favor," ele pediu, apontando para mim.

"Ela está triste papai?" O menino me olhou novamente, curioso: "Qual é o seu nome?"

Respirei fundo. "Abigail," respondi.

— Ele sorriu e disse para Nancy: "Traz água pra Abigail… ela tá triste." E pela primeira vez desde que saí do apartamento, senti uma leve esperança de que, talvez, eu conseguisse respirar mais uma vez.

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