A casa amanheceu diferente.
Não havia tensão no ar, nem aquela vigilância silenciosa que se instalara nos dias anteriores. Os homens de segurança já não ocupavam os mesmos pontos estratégicos. Os telefones estavam quietos. Nenhuma mensagem urgente. Nenhuma sombra rondando o que já fora resolvido.
Victor Hale havia desaparecido do radar.
E, pela primeira vez desde que Helena chegara àquela casa, o perigo não estava do lado de fora.
Estava dentro.
Helena desceu para a cozinha ainda cedo. Vestia roupas simples, sem o uniforme, como fazia nas manhãs em que Matteo ainda dormia e o dia não exigia pressa. Preparou o café em silêncio, organizou a mesa com movimentos automáticos, mas a mente estava longe.
Adrian entrou alguns minutos depois.
Havia algo diferente nele também. Não o peso da ameaça, mas o resíduo dela. Como alguém que atravessou uma tempestade e ainda sentia o corpo reagir, mesmo com o céu limpo.
— Bom dia — disse ele.
— Bom dia — respondeu Helena.
Sentaram-se à mesa. Nenhum dos