Helena só percebeu que algo estava diferente quando chegou ao portão.
Não havia carros extras. Não havia homens posicionados de forma ostensiva. A casa parecia… normal. Limpa. Organizada. Silenciosa como sempre foi antes de Victor se tornar um nome pronunciável.
O silêncio, dessa vez, não assustava.
Ela entrou sem pressa, sentindo o peso de voltar a um lugar que, agora, carregava camadas invisíveis. A governanta a cumprimentou com um aceno discreto. Nenhuma pergunta. Nenhum comentário. Como se todos soubessem que certas coisas não eram ditas em voz alta.
Helena seguiu direto para a sala. Matteo estava no tapete, desenhando. Ao vê-la, abriu um sorriso simples, sem euforia, sem ansiedade. Um sorriso de rotina retomada.
— Oi, Helena.
— Oi — respondeu ela, com a mesma naturalidade.
Ela se sentou ao lado dele, observou os desenhos, fez perguntas pequenas. Nada além do que sempre fez. O corpo de Matteo parecia mais leve. A respiração, regular. A febre tinha ido embora.
A ausência havia doíd