Adrian percebeu antes dos outros.
Não foi o médico. Nem a governanta. Nem os sensores da casa, sempre atentos a qualquer mínima variação. Foi ele.
Matteo não correu naquela manhã.
Sentado à mesa do café, o menino empurrava o cereal com a colher, sem entusiasmo. O olhar estava distante, sem o brilho habitual. Adrian observava em silêncio, fingindo ler o jornal digital enquanto cada gesto do filho era registrado com precisão cirúrgica.
— Não quer suco? — perguntou Adrian.
Matteo balançou a cabeça negativamente.
— Não estou com fome.
A resposta simples apertou algo no peito de Adrian. O menino sempre fora ativo, curioso, inquieto. Desde a saída de Helena, no entanto, algo havia se deslocado de forma quase imperceptível.
No primeiro dia, foi apenas silêncio.
No segundo, irritação.
No terceiro, apatia.
No quarto, febre.
— Chama o médico — ordenou Adrian, já se levantando.
Matteo reclamou quando foi levado para o sofá, o corpo quente demais para aquela manhã fria. Adrian tocou a testa do fi