Mundo de ficçãoIniciar sessãoRayana vive de golpes pequenos, identidades falsas e desaparecimentos silenciosos. Nada emocional. Nada pessoal. Até decidir mirar alto demais. Usando documentos falsos e uma história cuidadosamente ensaiada, ela consegue ser contratada como babá por Cristian Montenegro, um bilionário recluso, pai solteiro de Bárbara, uma bebé de apenas um ano — e o ponto mais vulnerável da vida dele. O plano de Rayana é simples: ganhar confiança, observar rotinas, acessar informações e sair antes que alguém perceba. O problema é Cristian. Frio, controlador e acostumado a ter tudo sob controle, ele se sente inexplicavelmente atraído por Rayana desde o primeiro dia. O desejo vira obsessão. A obsessão vira vigilância. E, quando ele percebe, Rayana já está no centro da sua vida — e do seu coração. Enquanto Rayana luta para manter a farsa e ignorar sentimentos que nunca planejou sentir, Cristian começa a se apaixonar pela única mulher que entrou em sua casa sem pedir permissão… e pela única que pode destruí-lo completamente. No fim, o maior golpe não será financeiro. Será o amor.
Ler maisCristian não dormiu direito. Quando conseguiu fechar os olhos, sonhou com a fotografia outra vez: Rayana sentada diante de Debbie, as duas com expressões tensas, como se discutissem um segredo que não podia existir no mundo calmo da mansão. Ele acordou antes do amanhecer, com a sensação irritante de que a casa inteira estava diferente. Não havia nada fora do lugar — os quadros alinhados, o silêncio dos corredores, o cheiro leve de café vindo da cozinha — mas alguma coisa dentro dele tinha se deslocado. Ele desceu as escadas devagar. Lucrécia já estava na cozinha, impecável como sempre, passando café. Ela tinha aquele olhar atento de quem observa tudo sem invadir. Foi a primeira pessoa que recebeu Rayana no dia em que ela chegou — educada, cordial, mas avaliando cada detalhe como quem mede tecido caro. — Dormiu mal, menino? — perguntou ela, sem olhar diretamente. Cristian não responde
Cristian sempre gostou de reuniões curtas. Objetivas. Diretas. Sem emoção. Mas aquela tarde parecia arrastar-se como se o tempo estivesse preso em areia grossa. O relógio da parede marcava cinco e dez quando o detetive entrou no escritório, e Cristian já tinha lido a mesma linha do contrato três vezes sem entender nada. Ele levantou os olhos quando a porta fechou. O detetive era um homem discreto, de voz calma e olhar treinado para não revelar surpresa. — Senhor Montenegro — cumprimentou ele. Cristian assentiu, indicando a cadeira à frente da mesa. — Sente. O homem colocou uma pasta preta sobre a mesa. Cristian olhou para ela como quem encara um diagnóstico médico que não quer ouvir. — Encontrou alguma coisa? O detetive demorou um segundo antes de responder. — Algumas coisas. Cristian sentiu o coração bater mais forte, irritando-se consigo mesmo por isso. Ele não deveria se importar tanto. Era só uma babá. Só Rayana. Mas sua mão apertou a caneta com força. — Fale. O
A manhã nasceu pesada para Cristian, como se o sol tivesse decidido se esconder atrás de uma nuvem de vergonha. Ele acordou antes do despertador, encarando o teto branco do apartamento, revivendo cada segundo da noite na casa de praia. O gosto do beijo ainda parecia preso na boca, doce e ardente ao mesmo tempo, e a lembrança das lágrimas de Rayana vinha logo depois, como uma onda fria quebrando sobre tudo. Ele passou a mão no rosto, sentindo a barba por fazer, e soltou um suspiro longo. Não queria perder Rayana. Não queria assustá‑la. Mas também não conseguia fingir que aquilo não tinha significado nada. O telefone vibrou na mesa de cabeceira. Era Bryan. Cristian ficou alguns segundos olhando o nome na tela. Bryan sempre tinha sido mais que irmão. Era melhor amigo, confidente, parceiro de todas as loucuras da infância. Se alguém podia ajudá‑lo a entender aquela confusão de sentimentos, era ele. Ele atendeu por vídeo. Bryan apareceu com um sorriso torto e olheiras profundas
A porta do quarto de Rayana fechou com um estalo seco que ecoou pela casa de praia inteira. O som ficou vibrando no ar por alguns segundos, como se a própria casa tivesse prendido a respiração. Cristian ficou parado no meio da sala, imóvel, com o coração batendo rápido demais e a cabeça cheia de perguntas que ele não sabia formular. Ele não sabia o que fazer. Olhou para o sofá desalinhado, para a camisa caída no chão, para o copo de água esquecido na mesa. Tudo parecia fora do lugar. E Cristian odiava quando as coisas estavam fora do lugar. Passou a mão pelo rosto. Rayana tinha chorado. Isso era o único fato claro. Ele caminhou até o corredor devagar, como se estivesse entrando em um território delicado. Parou diante da porta dela e ficou alguns segundos olhando a madeira branca, como se pudesse atravessar e entender o que estava acontecendo lá dentro. Bateu duas vezes. — Rayana… Silêncio. Ele engoliu seco e tentou de novo, mais baixo, mais cuidadoso. — Rayana, me desculpe!
O segundo dia na casa de praia começou com o som do mar entrando pela janela aberta e um silêncio confortável que Rayana não estava acostumada a sentir. Ela acordou devagar, olhando para o teto branco, tentando lembrar onde estava. Por um instante, achou que ainda estava em algum hotel de luxo pago por algum alvo antigo, com nome falso e malas prontas para fugir. Depois viu o brinquedo de pelúcia da Bárbara no chão do quarto e a realidade voltou.Ela suspirou.Aquilo tudo estava ficando perigoso.Quando desceu, encontrou Cristian na cozinha, com o cabelo ainda bagunçado, segurando Bárbara no colo enquanto tentava preparar mingau. A menina balançava as perninhas, rindo sem motivo, com seus cabelos claros bagunçados como algodão doce.— Ela decidiu que hoje não gosta de aveia — disse Cristian, sério, olhando para a tigela como se fosse um problema matemático.Rayana riu.— Ontem ela comeu aveia.— Ontem era ontem. Hoje é hoje.Bárbara viu Rayana e esticou os braços, fazendo um som anima
Rayana acordou com a sensação estranha de que tinha dormido tempo demais.O som do mar foi a primeira coisa que ela reconheceu. Não era alto, nem agressivo. Era constante. Um vai e vem que parecia respirar junto com a casa. Ela abriu os olhos devagar, ainda meio perdida, encarando o teto branco de madeira.Casa de praia.A lembrança voltou inteira.Ela tinha deitado “só por cinco minutos” depois do almoço. Bárbara tinha adormecido no berço portátil ao lado da cama, e o vento morno entrando pela janela tinha feito o resto.Rayana virou o rosto.Bárbara ainda dormia profundamente, a boca levemente aberta, os cabelos claros espalhados pelo travesseiro. O cobertor azul estava enroscado nas perninhas dela.Rayana olhou o relógio.15:47.— Não acredito…Ela sentou rápido demais e ficou alguns segundos processando. Dormir no meio do dia não era comum para ela. Descansar, então… menos ainda.<





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