HOJE
O silêncio entre eles era uma entidade viva, pesada e opressiva, carregada de tudo que não fora dito durante todos aqueles anos. A confissão de Olívia ainda ecoava no ar úmido do jardim, cada palavra uma faca que cortara através da fachada de normalidade que eles cuidadosamente construíram.
Ian paralisou, seu mundo desmoronando em câmera lenta.
— Era você. — As palavras saíram como um suspiro rouco, um reconhecimento que doía mais que qualquer negação.
Sua mente retrocedeu violentamente para aquela noite enevoada pelo álcool e pela dor: a mulher do bar, os cabelos castanhos mais claros, os olhos igualmente feridos, mas sem as camadas de sofrimento que ele via agora em Olívia. Como não reconhecera? Como fora tão cego?
— Já... já havia te conhecido antes, Ian. — Olívia repetiu, sua voz um fio de som na chuva que começava a cair mais forte.
Ele a observou, realmente observou, talvez pela primeira vez desde que se reencontraram. A linha do seu queixo, a curva de seus lábios, a mane