Saulo Prado
Olhei para a cama vazia, os lençóis amarelos esticados, sem um sinal de desordem. Ela estava deliberadamente arrumada, como minha vida, lisa, parada, sem vestígios de tempo.
O celular vibrou no bolso. Respirei fundo antes de pegá-lo. Na tela, o nome "Amor" surgiu, um nome que eu mesmo coloquei.
- Oi, querida? Está pronta? - falei, com a voz mais animada do que realmente me sentia.
- Sim, amor. Você já está vindo? - respondeu, e pude ouvir algo arrastando ao fundo.
- Sim, a caminho.