Angelina Da Costa
O olhei ali, apoiado na ilha da cozinha, calado. Os olhos distantes, como se estivesse em outro lugar, em outro tempo. Eu havia pensado em mil possibilidades antes de abrir a boca, mas só uma martelava na minha mente.
- Foi o Saulo, não é? - minha voz saiu baixa, quase um sussurro.
Ele não respondeu. Apenas permaneceu aéreo, como se minha pergunta não tivesse peso algum.
- O que tem o Saulo? - ele murmurou, lento, arrastado. - Seu namorado?
Abaixei os olhos, como se assim pudesse esconder a ferida que ainda doía como se estivesse aberta agora.
- Ele não é mais meu namorado... - confessei, a dor escorrendo na voz.
O riso que veio dele foi curto, seco, quase nasal.
- Sei que não. Está noivo. Vai se casar em breve. Em Sobral, não se fala de outra coisa.
Ergui os olhos, tentando encontrar em seu rosto qualquer traço de mentira. Mas não havia. Só aquele tom pragmático, cruel na sua sinceridade. Meu peito apertou. Saulo havia prometido. Jurou que não se casaria. Jurou tant