Angelina Da Costa
O olhei ali, apoiado na ilha da cozinha, calado. Os olhos distantes, como se estivesse em outro lugar, em outro tempo. Eu havia pensado em mil possibilidades antes de abrir a boca, mas só uma martelava na minha mente.
- Foi o Saulo, não é? - minha voz saiu baixa, quase um sussurro.
Ele não respondeu. Apenas permaneceu aéreo, como se minha pergunta não tivesse peso algum.
- O que tem o Saulo? - ele murmurou, lento, arrastado. - Seu namorado?
Abaixei os olhos, como se assim pude