Saulo Prado
A sala estava abafada, apesar do ar-condicionado central da firma. Talvez fosse o calor do momento. Ou o calor que Angelina trazia consigo sempre que se aproximava — aquele tipo de presença que mexe com o ambiente sem precisar abrir a boca. Ela não sabia o efeito que causava. E isso, talvez, fosse o que mais me tirava do eixo.
A cada passo que ela dava sobre o piso de madeira do meu escritório, com a prancheta de anotações em mãos, eu sentia o ar rarefeito. Ela se movia com leveza