Angelina Garcia
Era muito mais do que eu podia dizer. Era vergonha, tristeza… e arrependimento.
Quarenta e seis anos pesavam nos meus ombros quando, no fundo, eu queria ter vinte. Queria ser jovem como aquela garota. As lágrimas desceram sozinhas quando cheguei à rua. Eu não tinha pegado as chaves para usar o carro dele — e, na verdade, eu nem queria mais.
Caminhei sem destino, perdida nos meus próprios pensamentos, no caos que eu me tornava. As lágrimas caiam quentes, pesadas, incontroláveis. Pensava na juventude que não voltava mais… no fato de eu ter estado com ele, ali, na minha casa, enquanto meus filhos brincavam na sala, sem imaginar a loucura que acontecia atrás da porta.
E se meu corpo falhasse?
E se saíssem aqueles barulhos estranhos, aqueles sinais do tempo que eu tanto tento esconder?
Eu vaguei em vão. Não sentia fome, não sentia nada além de estranheza. Sabia que, em alguns dias, ele sequer iria lembrar do meu corpo envelhecendo naquela cama. Mas eu… eu lembraria. Por dia