mãe

Angelina Garcia

Após a conversa com o doutor Saulo, nunca mais tocamos no assunto. Ele cumpriu o que prometeu. Manteve distância. Agiu com respeito. Foi gentil. Profissional. E isso me destruía um pouco mais a cada dia. Porque eu queria esquecer. Eu queria não querer. Eu queria não pensar no calor dos olhares, no peso das palavras trocadas em silêncio, no tremor leve das mãos quando ele passava por mim no corredor. Mas eu queria. E querer doía. Revivia. Revivia tudo. A forma como ele olhava meus olhos como se fosse capaz de me atravessar inteira. Como segurava o café que eu levava, como se fosse um gesto íntimo. Como dizia meu nome, às vezes, só pra ver como soava. Mas agora ele estava diferente. Mais distante. Mais cuidadoso. Mais... contido. E talvez fosse isso que mais me machucava: saber que ele realmente era diferente dos outros Prados. — Acha que se apaixonou por ele? — Camila perguntou como quem joga uma bomba no colo da amiga em ruínas. Olhei pela janela do barzinho onde está
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