Angelina Garcia
Após a conversa com o doutor Saulo, nunca mais tocamos no assunto. Ele cumpriu o que prometeu. Manteve distância. Agiu com respeito. Foi gentil. Profissional. E isso me destruía um pouco mais a cada dia. Porque eu queria esquecer. Eu queria não querer. Eu queria não pensar no calor dos olhares, no peso das palavras trocadas em silêncio, no tremor leve das mãos quando ele passava por mim no corredor. Mas eu queria. E querer doía. Revivia. Revivia tudo. A forma como ele olhava me