Angelina Da Costa
Observei o meu reflexo no espelho, a barriga comprida, as veias azuis marcadas. Continuei passando óleo de amêndoas devagar, como se polisse minha própria pele.
- Vocês poderiam ao menos parar de se empurrar agora, meninos? Sei que o espaço está cada vez menor, mas é o que temos, galera. Então cada um procura um canto.
Falei em tom de brincadeira, fitando os movimentos dos meus filhos. O ar fresco entrava pela janela, o cheiro de mato verde molhado, fezes de gado fresca, esse aroma se torna delicioso a cada manhã. Agora eu moro em uma fazenda. Há mais pessoas ao redor, cuidadores de animais, uma mulher que faz tudo, e um homem que pouco fala, os unicos que permaneceram é Igor e Gustavo, talvez não somente seguranças, mas policiais afastados. As armas estão sempre na cintura, a cara fechada, séria como se sempre estivessem com problemas ou fome.
Todos os dias, no fim da tarde, vejo os gado pastando ao longe e ouço o cantar do galo todas as manhãs.
Mas senti o peso de