Angelina Da Costa
Mas era em vão. Meu corpo não obedecia. O ar entrava, mas não saía. O coração disparava sem freio, um tambor enlouquecido dentro do meu peito. Eu sabia, a pressão estava alta. O obstetra já havia me alertado sobre os riscos de pré-eclâmpsia, sobre a ameaça constante da diabetes gestacional na minha idade. Mas, naquele instante, nada parecia mais forte do que o peso da carta contra o meu peito e a ausência do abraço da minha filha.
- Diogo! Diogo, corre aqui! Me ajuda, ela... ela está descontrolada! - A voz de Antônia explodiu no ar. Foi a última coisa que ouvi antes de tudo escurecer. Apaguei. Para mim, naquele instante, não havia mais chance para nada.
Quando despertei, os sons eram fragmentados, metálicos. O bip ritmado de um motor me trouxe de volta, junto com o cheiro agressivo de éter queimando as narinas. A claridade do teto me cegava, e um incômodo latejante no pulso me lembrava que algo era forçado a entrar no meu corpo, frio e invasivo. Desviei os olhos e vi