Angelina da Costa
Olhei pela janela, a neve caía fina, nublando a cidade abaixo. As luzes natalinas piscavam coloridas, enfeitando as ruas, mas aqui dentro o apartamento é só silêncio, o vazio, ecoando por todos os cômodos. Dois meses já haviam se passado desde que deixei meus filhos para trás.
A saudade queimando, o arrependimento que lateja, mas a certeza de que não posso voltar atrás é maior.
Cinco meses de gestação. Dois corações dentro de mim. Os exames diziam que estavam bem, mas o medo não saía do meu corpo. Medo do que já tinham sofrido antes mesmo de nascerem. A lembrança ainda me atormentava: a noite em que eu e Luiza gritávamos desesperadas diante da estofaria de Agnaldo. A fumaça subindo, devorando tudo. Eu queria acreditar em acidente, mas a certeza gritava dentro de mim, não era. Não tinha espaço para duvida.
Eu estava disposta a desaparecer pelo mundo, porque não suportava mais ver Luiza sobrecarregada, indo e vindo do hospital, cuidando dos filhos e de mim, uma irmã d