Saulo Prado
- Eu nem acredito, sabia? - ela disse, andando à minha frente, o salto agulha preto riscando o chão como se quisesse marcar território. Girava em seu próprio eixo, olhando para a mão direita com um sorriso bobo.
Suspirei fundo. Quando se virou para mim, rindo como se fosse a mulher mais feliz do mundo, mantive minha expressão séria, sobrancelha arqueada, era só um anel.
- Então... o joalheiro deixou na medida certa? - perguntei, observando seu entusiasmo.
Frantesca assentiu, exibindo a mão bem na minha frente. As unhas vermelhas, afiadas como lâminas, emolduravam o anel solitário que refletia a luz do dia.
- O que achou? - Me pergunta, cheia de expectativa.
Desviei o olhar.
- Tanto faz. - murmurei, entrando no carro prata em seguida.
Frantesca entrou logo depois, sentando ao meu lado.
- Eu achava que já tinha perdido, sabia? - disse com uma voz que misturava alívio e vaidade. - Era meu sonho me tornar uma Prado. Mesmo que você não seja um legítimo... ainda assim, é u