Angelina Ribeiro
Eu não entendia porque minhas mãos tremiam, meus batimentos estavam descompassados.
Era um caso simples, já havia participado de tantas audiências, atravessado tantas salas de fórum, enfrentado tantos magistrados com expressões duras, que o nervosismo nunca me acompanhava. Mas hoje... hoje algo dentro de mim não parava de latejar.
Respirei fundo, ajeitei o terno cinza-claro sobre os ombros, passei os dedos pela pasta de documentos, tentando me ocupar com a rotina, o meu cliente. A voz do servidor interrompeu meus pensamentos:
- Senhores, dentro de instantes o juiz chegará para a audiência.
Assenti, oferecendo um sorriso breve e profissional. Nada além disso. Eu havia escutado os comentários das funcionárias nos corredores: "O novo juiz é jovem, bonito... tem uma presença que impressiona." Sorri por dentro.
Não me abalava. Eu sou casada, tenho a minha vida organizada, um caminho que eu mesma havia escolhido. Nenhum homem seria capaz de abalar meu eixo.
Pelo menos, era