Saulo Prado
Eu só queria ficar a sós com a Angelina.
Desde que ela se encolheu no banco do carro, com aquele olhar confuso e os lábios ainda vermelhos do selinho que escapou de mim, eu não pensava em mais nada. Só nela. No jeito como me olhou antes de sair, como se estivesse prestes a me perguntar se eu era o diabo ou só alguém pior.
Mas como sempre, meu passado e minhas sextas-feiras me cobravam.
A loira peituda, com seus saltos afiando o asfalto e aquele vestido laranja que parecia colado à