Gosto amargo

Angelina Ribeiro

Saí do escritório ainda com o gosto amargo daquele momento preso na boca. O coração disparava, mas forcei a respiração e ajeitei os cabelos como se pudesse disfarçar a confusão que me consumia. Precisava parecer intacta.

Na sala de jantar, Carla já terminava de organizar a mesa. Seu olhar pousou em mim de imediato, demorado demais, como se quisesse decifrar algo. Era um olhar curioso, atento... e eu senti o incômodo latejar.

Sentei-me à cabeceira. Adson já falava animado:

- Mamãe, hoje tem treino de jiu-jítsu, posso ir?

Atlas, não querendo ficar para trás, logo retrucou:

- E eu quero ir pra minha aula de música!

Sorri fraco, passando a mão nos cabelos deles. - Hoje não, filhos. Melhor descansarem um pouco, tá?

Foi nesse instante que Saulo puxou a cadeira e se sentou à mesa, natural, como se fosse parte da rotina. O movimento fez os meninos se entreolharem - havia curiosidade e, ao mesmo tempo, estranhamento no ar.

Carla serviu a travessa e se retirou em silêncio. Aind
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