Saulo Prado
Por um segundo, não consegui respirar. Minha mão se apoiou na parede do boxe, mas meu corpo inteiro tremia. O som dos gemidos de Francesca me rasgava por dentro, misturado à imagem grotesca diante de mim.
- Frantesca... - seu nome saiu num sussurro, quase uma súplica da minha boca, sibilei.
Ela mexeu os lábios cortados, mas não formou palavras. O ar lhe faltava, e cada tentativa de falar parecia um corte a mais dentro de mim.
O porteiro deu um passo atrás, murmurando. - Doutor... precisamos ligar... precisamos sair daqui...
- Cala a boca! - rosnei, sem perceber o tom, os olhos cravados nela. O peito ardia, meu coração disparado. Eu não sabia se queria abraçá-la ou destruir quem havia feito aquilo.
Avancei, ajoelhei ao lado da banheira. Toquei sua pele fria, a água tingida de vermelho queimando minhas mãos como se fosse ácido. Os cortes no rosto, o couro cabeludo arrancado, o corpo despido de dignidade... e, ainda assim, ela respirava. Ela estava viva.
- Frantesca, você c