Angelina da Costa
Saí do quarto a passos lentos, as três cartas na minha mão. O banho tinha levado o cheiro de éter do hospital, mas não a inquietação da minha pele. Meus cabelos, úmidos, escorriam pelas costas. Antes de atravessar o corredor, parei. O silêncio da casa era enganoso, meus inquilinos dormem cedo, para se agitar bem tarde. Eu sabia a noite será mais uma vez longa.
As palavras do doutor Ribeiro ainda martelavam na minha mente, a suposição sobre os testículos de um bebê e o outro não. Engoli seco. Dentro de mim eu tinha certeza: eram meninos. Já os sentia como se conhecesse cada respiração deles. "Já tenho um casal", pensei sozinha, mas a verdade é que a ideia de ter outro meio que me assusta, Ana Julia e Raul Júnior brigam por qualquer razão, ainda.
Cheguei à sala e ouvi a voz de Antônia, firme mas baixa.
- Qual perigo pode haver, Diogo? Ela nem sorri direito... parece um pássaro preso numa gaiola.
Meu peito se contraiu.
A resposta de Diogo veio carregada de tensão,
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