Angelina da Costa
Saí do quarto a passos lentos, as três cartas na minha mão. O banho tinha levado o cheiro de éter do hospital, mas não a inquietação da minha pele. Meus cabelos, úmidos, escorriam pelas costas. Antes de atravessar o corredor, parei. O silêncio da casa era enganoso, meus inquilinos dormem cedo, para se agitar bem tarde. Eu sabia a noite será mais uma vez longa.
As palavras do doutor Ribeiro ainda martelavam na minha mente, a suposição sobre os testículos de um bebê e o outro nã