Angelina da Costa
O dia mal tinha clareado e eu já estava de pé.
A cozinha exalava cheiro de alho dourando na panela.
O arroz no fogo, o frango temperado na véspera, o feijão de ontem esquentando devagar. Era o meu jeito de calar os pensamentos, ocupando as mãos, preenchendo o silêncio da casa, fingindo que a cabeça não estava fervendo desde a ligação com Saulo na madrugada.
Mas estava.
Eu não dormi direito. E pior, acordei decidida. Mais do que nunca, eu queria que Raul soubesse que os limite