Saulo Prado
Eu não poderia contar à minha mãe, nem a ninguém, a verdadeira situação de Angelina. Era um segredo que me comia por dentro, feito ferrugem em ferro antigo. O fim de semana se arrastava, e entre silêncios e olhares atravessados, minha mãe e eu nos entendemos como sempre sem falar o que realmente importava. O Natal tinha ficado para trás quando o celular vibrou no criado-mudo.
- Saulo, o seu avô descobriu que Lina não está mais em Novasouris. Está contratando mais homens, já pediu a localização dos filhos dela. - a voz de Edmundo, um dos seguranças da minha confiança, ecoou no escuro da varanda.
Cerrei o punho. - Acompanhe cada passo dele. E me avise de qualquer novidade.
Mas nem mesmo essa ordem me trouxe paz. A confiança já não existia, eu estava aprendendo com Otávio na marra, desconfiar de todos.
Na madrugada de segunda-feira, o calendário ou as festas já não significavam nada. Parti para Sobral decidido, dessa vez me mudaria de vez para a mansão Prado. Era um passo ca