Natal em família

Saulo Prado

Algumas semanas havia se passado desde então. - O que você tem para mim? - perguntou Ribeiro, assim que entrei no quarto.

Ele me olhou, expectante. Atirei a lista de laranjas sobre a cama; vi que o homem negro sorriu ao observá-la.

- A sua coelhinha está segura. Em breve, você será notificado sobre o anexo de tentativa de homicídio ao caso, por pouco o Agnaldo sobreviveu, inalou muita fumaça, ele estava no almoxarifado.

Sentei-me na poltrona ainda ouvindo.

- Onde ela está? Posso vê-la?

Ribeiro folheava as páginas com todos os dados. Havia feito o trabalho completo: nomes, familiares, paraísos fiscais. Então ergueu os olhos para mim.

- O que você quer? Fazer as pazes? - zombou.

Desviei o olhar. Um mês e meio havia se passado, a cama estava gelada, nada tinha o mesmo gosto, nem o pôr do sol era tão lindo como antes. Escutei seu assobio enquanto folheava cada página.

- Ótimo trabalho, garotão, todos? - perguntou, enquanto me vi impaciente.

- Apenas vê-la é suficiente. Sei que
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