Angelina Da Costa
Eu não podia negar, estar longe do escritório me fazia bem. Meu corpo pedia cama, repouso, mas o silêncio do cerrado me embalava de um jeito diferente. Não era um paraíso, a vida ali tinha seu peso, suas exigências, mas era infinitamente mais suportável do que os dias corridos, sufocantes, dentro das paredes dos Prados.
O que me fez rolar de um lado para o outro, depois que Saulo adormeceu, não era o afastamento, tampouco a investigação.
Era a imagem dele.
A mão firme pousada na cintura de Ana Júlia.
Minha filha, entrelaçada no braço dele como se fosse natural. O jeito como o olhar dela se demorava sobre o dele... aquele tipo de olhar que eu conhecia muito bem.
E o pior: eles formavam um belo casal.
Para quê Ana Júlia quisera aquela foto? Por que sem mim ao lado?
Agitei a cabeça, tentando afastar a cena da mente, mas o nó no peito não cedia.
Eu estava louca, com ciúmes da minha própria filha. Passei as mãos pelo rosto, assustada com o rumo dos meus pensamentos. Esta