Vem tirar uma foto

Saulo Prado

Angelina estava diferente. Mais cheinha, as curvas mais marcadas, a pele corada, o cabelo com brilho intenso.

O rosto salpicado de sardas parecia mais vivo, mais mulher. Os olhos mais intensos. A ida à casa da irmã lhe fizera bem, eu não poderia negar.

Era noite quando a sessão de fotos começou. Decidi aguardar no carro, mas com a demora, entrei no estúdio, nada confortavel em ver a pose de familia perfeita, talvez fosse assim a maioria dos quadros de fotos, eles sempre escondem histórias.

- Quer tirar uma foto também, Saulo? - Ana Júlia perguntou de repente, quando a mãe já saía para trocar de roupa.

A fotógrafa me olhou surpresa, deu um riso breve. Notei também o olhar duro de Raul, fixo em mim, como se medisse cada gesto.

- Seu namorado? - a fotógrafa perguntou, risonha, os olhos indo de mim para a formanda.

- Não. - respondi firme, diante o silêncio. - Sou o namorado da mãe dela.

Raul ainda sentado na poltrona, engoli o incômodo daquela encenação de "família feliz", R
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