Saulo Prado
O dia tinha mais cor, disso eu não tinha dúvidas.
- Saio do escritório, passo pra te pegar, tá? - pisquei para a mulher sentada ao meu lado. Ela segurou meu rosto com as duas mãos e me roubou um beijo quente, molhado.
- Se comporte direitinho, doutor Saulo. - sorriu, e eu lhe dei mais dois selinhos provocadores.
- Sou um homem comprometido, me respeita, rapaz. - brinquei, arrancando uma risada leve dela antes que abrisse a porta e desaparecesse no prédio.
Esperei até não vê-la mais para arrancar o carro.
No escritório, o cliente já me aguardava na recepção. Dia de audiência. Entrei na sala tentando controlar os bocejos, mas nenhum juiz aceitaria como desculpa o fato de eu ter rodado a cidade de madrugada atrás de batatas fritas com cheddar para satisfazer o desejo da minha mulher, que nem sequer esta gravida.
A manhã passou rápido. Quando percebi, a tarde já se estendia. Fiz um lanche apressado, atendi outro cliente e, quando finalmente encostei na cadeira, respirei fundo