Narrado por Léa
O apartamento estava mergulhado num silêncio incômodo, daqueles que pesam nos ombros e tornam o ar mais denso. Eu tentava me enganar, mexendo distraída numa xícara de café frio na cozinha, como se aquele gesto pudesse me dar um pouco de normalidade. Mas nada era normal desde que Zeus Marino atravessou a minha porta. E, no fundo, eu sabia: cedo ou tarde, ele falaria algo que mudaria tudo de novo.
Não demorou.
— Em dois dias vamos para a Itália.
A voz dele cortou o espaço como uma