CAPÍTULO 163.

A música continuava. As luzes também. As risadas e os brindes fingiam normalidade. Mas, como tudo entre mafiosos, o verdadeiro evento acontecia longe do palco.

Na sacada lateral da mansão, onde a brisa italiana empurrava as cortinas e o som do salão vinha abafado, o clima era outro.

Foi Alice quem me chamou. Com um gesto elegante, quase gentil. Mas algo em seu olhar não era convite — era interrogatório.

— Podemos conversar? — disse.

Segui-a. Era a esposa do Don, afinal. E, naquela casa, tudo ainda me era estranho.

A sacada dava vista aos vinhedos e às colinas iluminadas pela lua. Bonito. Quase suficiente para distrair do incômodo que se seguiu.

Alice olhou para mim, estudando cada gesto. Depois cruzou os braços com leveza e soltou, como se pedisse açúcar para o café:

— O que exatamente você é para Eliyahu Prokhorov?

Não houve rodeios. Não havia sutilezas.

— Ele me criou. — respondi, com firmeza contida.

— Criou? — ela franziu o cenho. — Você fala como se fosse órfã. Mas tem um pai. Um
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