CAPÍTULO 190.
Eliyahu Prokhorov
Eu menti.
E não me arrependo.
Não é como se eu nunca tivesse mentido antes — meu amor por Darina foi todo entrelaçado com pequenas manipulações desde o início. Mas essa foi diferente. Essa foi a mentira definitiva. Não para feri-la. Para resgatá-la.
Eu nunca planejei me suicidar. Nem por um instante considerei a ideia de colocar uma bala na minha cabeça. Que estupidez seria essa? Um rei não abandona o trono. Eu só quis… provocar um terremoto emocional.
Uma peça perfeitamente calculada, como um mestre do xadrez encurralando o rei adversário em silêncio.
Fiquei dias preparando tudo. Cada detalhe. A forma como meus ombros iriam se curvar sob o peso do suposto desespero. A arma, descarregada, deixada de propósito sobre a mesa como um símbolo silencioso de rendição. A porta do escritório aberta. O copo de whisky, intacto. Os papéis em desordem. Até mesmo os olhos fundos, que conquistei com noites de insônia real — não por tristeza, mas por obsessão.
Eu esperei.
Esperei qu