CAPÍTULO 162.
O dia estava quente. Estranhamente quente para novembro.
O tipo de calor que faz os limoeiros no jardim exalar um perfume ácido e agridoce, e que faz o mármore dos corredores brilhar mais do que o normal. A mansão estava quieta. Matteo havia saído com Francisco para uma reunião com um político local. Carlos levou os pequenos para nadar com Yana. Fiquei sozinha na biblioteca, o único lugar em que me sentia… invisível.
Folheava um livro velho de direito romano quando ouvi os passos. Lentos, precisos, do tipo que não anuncia presença — apenas chega. Olhei por cima das páginas e lá estava ela: Alice.
Vestia branco. Não sei se por estratégia ou ironia. Parecia uma dessas esculturas perfeitas, mas geladas, da era renascentista.
— Está a gostar da Itália? — ela perguntou, apoiando-se com leveza na beirada da poltrona do outro lado da sala.
— Sim. — respondi, seca.
Ela cruzou os braços.
— Notei que tem evitado passar tempo conosco.
Fechei o livro devagar.
— Eu não estou acostumada com família