CAPÍTULO 185.
Darina.
Você tenta falar todas as vezes que nos cruzamos pelos corredores da mansão. Sua voz baixa, arrastando palavras como se isso fosse suficiente para colar o que você mesmo partiu. Eu não paro. Não olho. Não escuto.
Já te disse: acabou. Me deixe em paz.
Os cômodos imensos que um dia carregaram risos abafados, sussurros cúmplices, agora são desertos gelados. O piano na sala de estar, onde um dia você me pediu para cantar, permanece fechado, coberto de silêncio. Meus passos ecoam entre paredes que um dia acreditei que poderiam ser lar. Agora? Prisão com janelas de ouro.
Nuvens escuras. Você vai me ver tormentar. Eu não volto. Mas, acredita em mim, você vai aguentar isso.
Chega.
Chega de fingir que posso continuar jogando esse jogo onde só você ganha. Chega de dormir com sua camiseta como se ela ainda me confortasse. Chega de esperar suas mensagens, como se seu toque ainda tivesse o poder de curar o que ele mesmo feriu. Chega. Não quero mais essa dor. Me desculpe, mas meus sentiment