O asfalto de Chicago sob a neve era uma pista de patinação mortal, mas eu dirigia como se possuísse a precisão mecânica que Julian tanto admirava. Meus olhos alternavam entre o retrovisor — buscando os faróis dos seguranças de Thorne — e os envelopes plásticos no banco do passageiro. Aquelas fotos não eram apenas papel; eram o peso de vidas humanas, a prova de que a beleza da Torre Vane era sustentada por uma mentira estrutural.
Eu não fui para o café. O instinto de quem viveu nas ruas antes de morar nos estúdios me dizia que Thorne já teria homens lá, sentados em bancos de couro falso, esperando pela "garota da câmera". Em vez disso, guiei o carro em direção ao The Loop, onde o prédio do Chicago Tribune se erguia como uma catedral gótica de concreto e verdade.
Estacionei ilegalmente em uma vaga de hidrante, a mochila apertada contra o peito. O vento soprava com uma ferocidade que parecia querer arrancar a pele do meu rosto, mas a queimação interna da adrenalina era mais forte.
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