O mundo havia se transformado em um palco de luzes brancas e sombras violentas. O brilho dos refletores das equipes de reportagem ricocheteava nos flocos de neve, criando uma atmosfera irreal, quase onírica, se não fosse pelo cheiro pungente de óleo diesel e pela poeira sufocante de gesso que ainda pairava no ar.
Eu estava parada na beira do abismo, meus pés afundando nos destroços de tijolos que outrora formaram a parede da cozinha da minha infância. Meu peito ardia, não apenas pelo frio c