Mundo ficciónIniciar sesiónLívia acreditava que tinha um casamento perfeito… até descobrir que o homem que amava a traiu da forma mais cruel. Na mesma noite em que sua vida desmorona, ela conhece Adrian Montenegro, um bilionário frio, poderoso e temido por todos. O que Lívia não sabe é que Adrian guarda um segredo devastador: ele foi o responsável pela ruína de sua família anos atrás. Quando circunstâncias inesperadas os obrigam a se casar, Lívia se vê presa a um homem que ela deveria odiar mais do que qualquer pessoa. Determinada a nunca perdoá-lo, ela promete transformar aquele casamento em um campo de guerra. Mas quanto mais tempo passa ao lado de Adrian, mais ela percebe que existe algo por trás da frieza dele… segredos, culpa e sentimentos que nenhum dos dois consegue controlar. Entre mentiras, vingança e uma atração perigosa, Lívia começa a se perguntar: Será que o homem que destruiu sua vida… pode ser o único capaz de reconstruí-la?
Leer másA primeira vez que vi meu marido me traindo, eu estava segurando um teste de gravidez positivo.
Minhas mãos tremiam enquanto eu encarava aquelas duas linhas rosas. Duas linhas que significavam que uma nova vida estava começando dentro de mim.
Eu deveria estar feliz.
Deveria estar sorrindo.
Mas naquele momento, parada no corredor silencioso daquele hotel luxuoso, meu coração começou a bater tão forte que parecia que ia sair do peito.
Porque a porta do quarto estava entreaberta.
E lá dentro… eu ouvi risadas.
Uma risada feminina.
Meu estômago se revirou.
Eu dei um passo à frente, tentando convencer a mim mesma de que estava enganada. Que aquilo não podia ser o que eu estava imaginando.
Mas quando empurrei a porta um pouco mais…
Meu mundo simplesmente desmoronou.
Meu marido estava na cama.
E não estava sozinho.
Os lençóis brancos estavam bagunçados, e os dois nem sequer perceberam que eu estava ali por alguns segundos.
Foi o suficiente.
O suficiente para que eu visse tudo.
Para que eu entendesse tudo.
E quando finalmente a mulher virou o rosto para mim…
Meu coração parou.
Porque eu a conhecia.
Muito bem.
Era minha irmã.
— Lívia?
A voz do meu marido saiu tensa quando ele finalmente me viu na porta.
Eu não consegui responder.
Meu corpo inteiro parecia congelado.
O teste de gravidez caiu da minha mão e bateu no chão com um pequeno estalo de plástico.
Os dois olharam para baixo.
Silêncio.
Um silêncio pesado tomou conta do quarto.
Minha irmã foi a primeira a falar.
— Não é o que você está pensando…
Eu soltei uma risada baixa.
Uma risada vazia.
— Sério?
Minha voz saiu mais fria do que eu imaginava.
— Porque para mim parece exatamente o que eu estou pensando.
Meu marido passou a mão pelos cabelos, claramente irritado por ter sido pego.
— Lívia, vamos conversar com calma.
Com calma.
Eu olhei para ele.
Para o homem que eu amei por anos.
Para o homem que prometeu ficar comigo para sempre.
— Há quanto tempo? — perguntei.
Nenhum dos dois respondeu.
E o silêncio deles foi pior do que qualquer confissão.
Algo dentro de mim quebrou naquele instante.
Eu dei um passo para trás.
Depois outro.
— Sabe o que é engraçado? — murmurei.
Minha irmã me encarava em silêncio, enquanto segurava o lençol contra o corpo.
— Hoje eu descobri que estava grávida.
Os olhos dos dois se arregalaram.
— Eu vinha aqui te contar — continuei, olhando para o homem que eu ainda chamava de marido — achando que essa seria a noite mais feliz da nossa vida.
Minha garganta apertou.
Mas eu me recusei a chorar.
Não na frente deles.
Nunca.
— Mas obrigada — falei, virando em direção à porta.
— Porque agora eu percebo que foi a noite em que eu finalmente acordei.
E foi naquela noite…
Que eu perdi meu casamento.
Minha família.
E a vida que eu achava que tinha.
Mas eu ainda não sabia que o destino tinha preparado algo muito pior.
Ou talvez…
Muito mais perigoso.
Porque algumas horas depois, eu conheceria o homem que destruiria tudo o que restava da minha vida.
Adrian Montenegro.
O mundo parecia ter encolhido.Já não existiam montanhas.Nem guerra.Nem perseguição.Nem passado.Apenas uma pequena clareira iluminada por uma lanterna fraca… e o som desesperado da respiração de Lívia lutando contra o próprio corpo.Adrian caiu de joelhos ao lado dela.As mãos tremendo pela primeira vez em anos.— Eu estou aqui… — disse ele.A voz rouca.Quase quebrada.Ela tentou sorrir.Mas a dor veio como uma lâmina atravessando tudo.— Você demorou…A tentativa de brincadeira saiu fraca.Ele encostou a testa na dela.— Eu sempre chego no pior momento.— Ou no mais importante…O médico interrompeu.— Precisamos focar agora.— O bebê está vindo.O coração de Adrian disparou.Uma sensação que ele nunca tinha experimentado.Medo absoluto.Não de morrer.Mas de perder algo que ainda nem tinha tocado.— Respira — disse ele.— Olha pra mim.Lívia segurou a mão dele com força absurda.Como se fosse a única âncora possível naquele mar de dor.— Eu não consigo…— Consegue sim.— Você já
O frio nas montanhas parecia cortar até a alma.Daniel corria.Não por estratégia.Não por plano.Mas por puro instinto.Porque o peso nos braços dele não era apenas o de uma mulher grávida.Era o peso de duas vidas que dependiam de segundos.Lívia gemia.O corpo inteiro contraído.O ventre rígido como pedra.— Eu não consigo… — murmurou.A voz fraca.Quase perdida no vento.— Consegue sim — respondeu Daniel.Mas ele mesmo não sabia se acreditava nisso.Os disparos ainda ecoavam atrás.Mais distantes agora.Mas ainda reais.A guerra ainda estava ali.Sempre ali.Eles chegaram a uma pequena clareira entre rochas.Um abrigo natural.Proteção improvisada.Um dos homens acendeu uma lanterna.Outro abriu uma mochila médica.— Coloca ela aqui!Daniel deitou Lívia cuidadosamente sobre uma superfície improvisada de cobertores.O médico ajoelhou-se imediatamente.— Respira comigo.— Ainda é cedo demais.Ela apertou a mão dele com força absurda.— Eles estão vindo…— Quem?— Os bebês.O silênci
O chalé tremia a cada disparo.Madeira antiga estilhaçando.Vidros já destruídos sendo atravessados por vento e pólvora.O cheiro de guerra estava em todo lugar.Adrian permanecia no centro da sala.Imóvel.Esperando.Porque ele sabia.Sabia que aquilo não era apenas um ataque.Era um encontro.O som dos passos foi diferente dos outros.Lento.Seguro.Quase elegante.E então Aleksander Voss entrou.Sem pressa.Sem arma levantada.Como se fosse dono daquele momento.Como se sempre tivesse sido.O silêncio caiu pesado.Mesmo os disparos do lado de fora pareceram distantes.Irrelevantes.Dois predadores finalmente frente a frente.— Você demorou — disse Adrian.A voz baixa.Controlada.Voss observou o ambiente.A lareira acesa.Os sinais de fuga recente.O cheiro de sobrevivência.— Eu gosto de deixar você acreditar que está no controle.A resposta veio calma.Perturbadora.— Isso nunca foi sobre controle.— Sempre foi sobre liberdade.O leve sorriso surgiu.— Você nunca quis liberdade.
A madrugada nas montanhas era cruel.O vento uivava entre as árvores como um aviso antigo, quase espiritual, como se a própria natureza estivesse tentando dizer que algo inevitável estava prestes a acontecer.Dentro do chalé, ninguém dormia.Nem mesmo os homens treinados.Nem mesmo Daniel.Nem mesmo Adrian.Mas principalmente…Lívia.Ela estava sentada perto da lareira, envolta em cobertores, as mãos constantemente sobre o ventre. O calor das chamas não conseguia alcançar o frio que existia dentro dela.Medo.Antecipação.Destino.— Você devia tentar descansar — disse Adrian, observando-a.— Se eu fechar os olhos agora… tenho medo de abrir e tudo já ter acabado.O silêncio caiu pesado.Ele entendeu.Porque sentia exatamente o mesmo.Do lado de fora, passos na neve.Um dos homens entrou rapidamente.— Contato.O clima mudou instantaneamente.O ar ficou mais denso.Mais perigoso.— Quantos? — perguntou Adrian.— Difícil estimar.— Mas muitos.Daniel pegou o rádio.— Movimento coordenado
O silêncio depois da explosão parecia irreal.Por alguns segundos, nenhum deles falou. Apenas o som do vento atravessando as árvores e o estalar distante da madeira da ponte desmoronada ecoavam pelas montanhas.Lívia ainda corria.Não porque sabia para onde estava indo.Mas porque parar significaria pensar.E pensar significaria sentir.E sentir… naquele momento… parecia impossível de suportar.Adrian vinha logo atrás dela.Mesmo ferido.Mesmo exausto.Mesmo carregando o peso de uma guerra inteira nos ombros.— Mais um pouco — disse ele.A voz rouca.Mas firme.— Tem um chalé antigo nessa direção.Daniel confirmou pelo rádio:— Mapa indica estrutura abandonada a oitocentos metros.— Provável ponto de abrigo.Provável.Nada naquela noite era certeza.A neve começava a cair mais forte.Grãos grossos.Pesados.Reduzindo a visibilidade.Escondendo rastros.Escondendo destino.O corpo de Lívia começou a falhar.A respiração irregular.As pernas tremendo.— Eu… não consigo…Ela parou.O mun
O vento nas montanhas não perdoava.Assim que saíram do avião, a sensação foi imediata: aquilo não era apenas uma fuga. Era uma sobrevivência crua, primitiva, como se o mundo tivesse regredido para um estado onde apenas os mais fortes conseguiam continuar respirando.Lívia foi envolvida em um casaco pesado.As mãos de Adrian foram rápidas.Firmes.Protegendo.— Você consegue andar? — perguntou ele.Ela assentiu.Mas o corpo inteiro ainda tremia.Pelo impacto.Pela decisão.Pelo medo.— Eu consigo… mas não rápido.— Então a gente não corre.— A gente some.O olhar dele percorreu o horizonte.Montanhas escuras.Neve caindo em rajadas.Pouca visibilidade.Perfeito para desaparecer.Ou para morrer.Os homens da equipe começaram a se posicionar.Dois veículos estavam escondidos entre as rochas.Motores ligados.Prontos.— Temos no máximo cinco minutos — disse Daniel, surgindo do nada.Lívia arregalou os olhos.— Você está vivo…Ele deu um pequeno sorriso.— Difícil me matar.Adrian não per
Último capítulo