O Aeroporto de O'Hare parecia uma imensa caixa de vidro e ecos, um lugar projetado para transições rápidas e despedidas assépticas. Eu caminhava pelo terminal carregando apenas minha bolsa de equipamentos e uma mala pequena, sentindo o peso do ar de Chicago nos meus pulmões uma última vez antes de trocá-lo pelo oxigênio desconhecido da Europa.
Eu estou fugindo ou estou voando?, minha voz interior questionava, repetindo-se no ritmo dos meus passos no piso de granito. Julian ficou lá embaixo, diminuindo na calçada até se tornar apenas um ponto escuro contra o cinza da cidade. Ele me deu as asas, mas esqueceu de me dizer como pousar sem o peso dele para me equilibrar.
A viagem sobre o Atlântico foi um vácuo de tempo. Tentei dormir, mas toda vez que fechava os olhos, via o reflexo da Torre Vane queimando com as minhas fotos. O sucesso, que eu sempre imaginei que teria o gosto de champanhe, tinha o sabor metálico de sangue e poeira. Eu era a "fotógrafa do momento" em Paris, a mulher que