Paris não era mais a cidade dos amantes ou dos pintores impressionistas; ela havia se transformado em um revelador químico, ácido e corrosivo, onde cada vulto nas sombras da Place des Vosges parecia uma mancha mal fixada em um filme de terror. O peso daquela fotografia — Julian, vulnerável e sorridente no Distrito Sul — queimava contra a palma da minha mão dentro do bolso do sobretudo.
Eu sou uma caçadora que esqueceu como se sente o cheiro da presa, pensei, enquanto cruzava a Pont Neuf com o coração batendo no ritmo frenético de um obturador travado. Passei anos observando Chicago, antecipando o movimento de cada viga, de cada operário, de cada raio de sol. Agora, o foco mudou. Eu não estou mais procurando a alma da arquitetura; estou procurando o brilho metálico de uma lente que me observa.
O vento que soprava do Sena era úmido e carregado com o cheiro de história antiga, muito diferente do vento industrial e agressivo do Lago Michigan. Paris tinha camadas, e Thorne estava tenta