O som do departamento era um zumbido constante, um ruído branco que mal penetrava a névoa da minha concentração. Eu estava diante de uma tela, analisando os esquemas de segurança do prédio na Rua das Acácias, mas minha mente estava em outro lugar. No vazio que a operação no Éden deixara. Foi muito limpo. Muito fácil.
O cheiro chegou primeiro. Um aroma sutil de sabonete hospitalar e algo levemente adocicado. Um cheiro que não pertencia a esse lugar de suor, café e tensão. Um cheiro que fez algo na base do meu crânio se contrair, o cheiro da Elysa...
Levantei os olhos.
Kate estava de volta à sua mesa, adjacente à minha. Ele se sentou com uma graça fluida, seus movimentos econômicos e precisos. Seus cabelos castanhos, presos naquela trança impecável, brilharam sob a luz artificial. Ele não olhou para mim, focando em sua própria tela, mas a presença dele agora parecia diferente. Mais... consciente.
Meus olhos se fixaram nele. Aquele rosto andrógino, aqueles olhos âmbar. Onde eu o