O sol ainda não havia nascido quando a frota de veículos não identificados se posicionou em um raio de três quarteirões do Clube Éden. O ar noturno, antes vibrante com a batida abafada da música, agora estava parado, pesado com a iminência da violência. Dentro da van de comando, iluminada pelo brilho fantasmagórico das telas, eu observava. Cada canal de vídeo, cada comunicação por rádio, era um fio que eu puxava no tear do colapso.
— Todos os pontos, reportem — a voz de Érica era um sopro eletrônico nos fones de ouvido.
As confirmações vieram, uma após a outra, vozes tensas e profissionais. Posicionadas. Prontas.
— Equipe Alfa, luz verde. Avançar.
Na tela principal, a visão noturna de um capacete mostrou a porta da frente do clube. Dois homens encapuzados, vestidos de preto, se aproximaram com a fluência de predadores. A marreta atingiu a fechadura com um baque surdo e econômico que mal foi ouvido sobre a música. A porta se abriu como um