Mundo ficciónIniciar sesiónNAMORADO DE MENTIRA • CEO BILIONÁRIO • PERDA DE MEMÓRIA • PROXIMIDADE COM A REALEZA • SEGUNDA CHANCE NO AMOR • ALFA PROTETOR • DRAMA MÉDICO • LEGADO FAMILIAR • Após perder a esposa para o câncer, Ethan Caldwell, um respeitado CEO londrino de 41 anos, decide abandonar tudo para ter um ano sabático e viajar pela Capadócia, o único lugar que nunca conseguiu visitar com o amor da sua vida. Mas o destino o surpreende com um novo recomeço quando um acidente quase fatal o deixa sem memória e à mercê de uma jovem desconhecida. Leyla Demir, uma turca de 23 anos, não esperava que salvar um estranho mudaria o rumo da sua própria vida. Quando ela estava quase sendo confundida como cúmplice de um crime, ela diz a primeira coisa que vem à mente: “Ele é meu namorado.” Agora, unida a um homem sem passado e um coração ferido, Leyla precisará ajudá-lo a redescobrir quem é, mesmo que isso signifique perder o que estão construindo juntos. Entre os balões coloridos da Capadócia, os silêncios que curam e os desejos que despertam, nasce um amor improvável, intenso e proibido pela diferença de idade, um amor que desafia o tempo, a memória e o destino. Mas quando o passado de Ethan retorna, ele precisará escolher: Honrar a lembrança de quem perdeu… ou lutar por quem o salvou.
Leer másEthan Caldwell
O sol da Capadócia não aquece; ele pinta. É o que penso enquanto dirijo, um espectro ao volante de um carro alugado, por estradas de terra que serpenteiam como cicatrizes nos vales. O céu é um espetáculo de tons dourados e rosados, uma fúria de cores que me parece um insulto. A beleza, desde que Amélia partiu, perdeu a relevância. Tornou-se um pano de fundo mudo para a dor constante que carrego, um peso oco sob as costelas que nem o ano sabático conseguiu erradicar.
O vento frio entra pela janela aberta, levando a poeira para o leste junto com as memórias. Lembro-me do riso dela, um som claro que costumava preencher cada canto da nossa casa em Londres. Agora, a casa é só um armazém de silêncios. O motor do carro ronca, uma companhia monótona e mecânica para um homem que um dia teve tudo…
O amor que dava propósito ao sucesso, o sucesso que sustentava o amor e que agora é pouco mais que uma sombra, um invólucro de carne e saudade.
Estou a caminho de Göreme. Decidi que a Turquia, com suas paisagens dramáticas e seu povo caloroso, já cumpriu seu papel.
Não me curou. Nada cura.
Apenas aprendi a carregar a ausência com um pouco mais de dignidade, ou talvez apenas com um cansaço mais profundo. É hora de seguir para outro lugar, outro cenário para a mesma peça trágica.
Mas o destino, esse dramaturgo irônico, sempre tem um ato final inesperado.
É numa curva fechada, com o crepúsculo baixando rapidamente, que ele se apresenta. Um jipe surge na contramão, uma mancha escura e abrupta contra o pôr-do-sol. Meu coração dá um salto seco no peito. Giro o volante com uma força brusca, instintiva.
Os pneus perdem a pouca aderência na areia solta, e o mundo vira um redemoinho de cor dourada e terror mudo. O som do metal se contorcendo contra a rocha é um grito animal, um ruído que parece rasgar o próprio tecido do ar. Um impacto surdo, depois o silêncio, quebrado apenas pelo tique-taque de algum fluido vazando e pelo zumbido agudo nos meus ouvidos.
Fico ali, preso. O volante pressiona meu tronco e sinto um calor úmido escorrendo da minha testa. O cheiro doce e nauseante da gasolina invade minhas narinas. É assim que termina? Soterrado sob os destroços num vale anônimo, longe de tudo o que um dia importou? Uma parte de mim, a parte mais cansada, quase sossega com a perspectiva.
E então, uma voz.
— Meu Deus… há alguém aí?!
É uma voz feminina, jovem, carregada de um pânico que soa genuíno. Rompe a minha letargia como um farol no nevoeiro. Tento responder, mas só me sai um gemido rouco.
Vejo uma silhueta se aproximando pela janela estilhaçada. Cabelos escuros, olhos enormes e escuros também, cheios de uma urgência que há muito não via no mundo. O rosto dela é pálido, manchado de preocupação.
— Por favor, me escute! — ela grita, as mãos agarrando a moldura da porta amassada. — Tenho que tirar você daí. O carro pode pegar fogo.
Ela se debate com o cinto de segurança, que está travado. Sinto suas mãos tremendo levemente contra o meu peito enquanto puxa e insiste. Há uma determinação feroz naquele desespero. Ela não é uma espectadora; é uma participante ativa contra a morte.
— Quase… consegui — ela murmurou, mais para si mesma do que para mim.
Com um último e decisivo puxão, o cinto cede. Ela me envolve pelos ombros e começa a puxar. A dor é uma lança branca e quente a perfurar-me o corpo, mas é ofuscada pelo instinto primordial de sobrevivência que ela desperta em mim. Arrasto-me para fora, cambaleante, metade do meu peso sustentado por ela. O cheiro de gasolina é agora uma ameaça tangível.
Demos apenas alguns passos quando a explosão chega. Não é um estrondo de cinema, mas um bum abafado, seguido por uma onda de calor que nos atinge nas costas. O impacto nos derrubou e desabamos juntos na areia fofa. Sinto o corpo dela, franzino e quente, contra o meu por um instante, antes que ela se afaste rapidamente.
Fico de costas no chão, olhando para o céu que agora está tingido não só pelo pôr-do-sol, mas pelo laranja sinistro das chamas. A respiração não vem. O mundo gira.
— Ei, senhor… você me escuta? — A voz dela está mais perto agora, cheia de um terror contido. Suas mãos tocam meu rosto, virando minha cabeça para o lado. Os dedos são suaves, mas firmes. — Por favor, abra os olhos.
Eu os abro. A visão é turva, embaçada pela poeira, pelo sangue e por uma confusão profunda. O rosto dela é um borrão de traços angustiados contra o céu crepuscular.
— Onde… estou? — A pergunta sai fraca, um sussurro rouco. É a única coisa que minha mente fragmentada consegue formular.
— Você sofreu um acidente. Um acidente muito grave. — Ela limpa o sangue da minha testa com a manga do seu casaco, um gesto estranhamente íntimo. — Qual é o seu nome?
Nome. Nome. A pergunta ecoa no vazio da minha cabeça. Deveria ser a coisa mais simples do mundo. Um rótulo, uma identidade. Mas as palavras não se formam. Há apenas um nevoeiro branco e denso onde as memórias deveriam estar. Sinto um frio gelado percorrer minha espinha, um pânico diferente do acidente. É o pânico de se perder a si mesmo.
Pisco, tentando focar no rosto acima de mim. Nos olhos dela, que examinam os meus em busca de um sinal de reconhecimento.
— Eu… — a voz falha. Engulo seco. — Eu não sei.
O choque nos olhos dela é visível, mas é rapidamente suplantado por uma compaixão prática e resoluta.
— Tudo bem — ela diz, e a mão dela encontra a minha, apertando-a. Seus dedos são frios, mas o aperto é quente, ancorando-me à realidade. — Tudo bem. Você está em choque. Vamos levar você ao hospital. Você está seguro agora.
Seguro. A palavra ressoa de forma estranha em mim. Não me sinto seguro. Sinto-me despedaçado, por fora e por dentro. Mas a pressão da mão dela é real. A areia sob as minhas costas é real. O rosto dela, iluminado pelas chamas do meu carro, é a única coisa que parece fazer sentido neste novo mundo de névoa e dor.
— O meu nome é Leyla — ela diz, suavemente. — Você se lembra de alguma coisa? De onde vinha? Alguém que esteja esperando por você?
Tento forçar a mente, mergulhar naquele branco. Imagens surgem, desconexas. O cheiro de jasmim. O som de uma risada que era como música. O contorno de um rosto contra um travesseiro, borrado, inatingível. Uma dor aguda, não física, mas emocional, corta através da confusão, tão intensa que eu gemo e viro o rosto para o lado.
— Dói — sussurro, e não estou falando apenas da cabeça.
Leyla não solta a minha mão. Seu olhar se aprofunda, como se estivesse vendo além dos ferimentos, até a fratura na minha alma.
— Não force — ela murmura. — As coisas vão voltar. Agora, o importante é que você está vivo.
Vivo. É um conceito relativo. E agora, nem sequer me lembro de quem essa existência pertence. A dor fantasma que sinto, essa angústia que parece ser o meu cerne, é o único traço legível da minha antiga vida.
Ouço sirenes ao longe, aproximando-se. Leyla olha para cima, um suspiro de alívio escapando de seus lábios.
— Estão chegando — ela diz, voltando-se para mim. — Vai ficar tudo bem.
Seus olhos encontraram os meus, e neles vejo não apenas a preocupação de uma estranha, mas o reflexo de uma profunda humanidade. Ela arriscou a própria vida para me puxar de uma armadilha de metal em chamas. Por quê? Quem é essa mulher que, num crepúsculo do dia, se tornou o fio condutor entre a minha vida e a minha morte?
O nevoeiro na minha mente ainda é espesso, impenetrável. Mas uma coisa é clara como o céu noturno que começa a surgir: a jornada que eu acreditava estar terminando, a fuga da minha própria dor, acaba por tomar um rumo radical. E o rosto de Leyla, marcado pela fuligem e pela compaixão, é o primeiro ponto de luz verdadeira que vejo depois de um longo, longo ano de escuridão. E, de alguma forma, mesmo sem saber o meu próprio nome, sei que nada será como antes.
Helena MarinEssa é a nossa vida real. Acredito que seja a melhor parte. A parte onde o desejo e a rotina coexistem, onde o sexo intenso e as responsabilidades parentais se entrelaçam sem que um diminua o outro.Depois do banho, onde quase perdemos o controle novamente sob o chuveiro, acordamos Lara com cuidado. Ela sempre precisa de alguns minutos para processar a transição do sono para a vigília, especialmente em um ambiente diferente.Ela abre os olhos lentamente, observa o quarto desconhecido, o barulho diferente do ar condicionado, o cheiro do mar entrando pela janela.— Onde estamos? — ela pergunta, e há um leve tom de ansiedade na voz.— Ainda em Punta Cana, querida. Lembra? Vamos ver os golfinhos hoje.Ela processa a informação por alguns segundos.— Golfinhos. Mamíferos aquáticos. Família Delphinidae.— Isso mesmo — Ethan diz, se aproximando com calma. — E eles são muito espertos. Vão gostar de você.Arrumo Lara enquanto Ethan organiza algumas coisas para poder levar depois d
Helena MarinEu acordo primeiro.O quarto continua envolvido naquela penumbra suave que só existe nos minutos antes do amanhecer, quando a noite ainda não decidiu completamente se vai embora. O som distante do mar entra pela porta de vidro fechada em um ritmo constante e reconfortante que parece pulsar no mesmo compasso do meu coração.E então eu sinto.O corpo dele colado ao meu. A respiração quente na minha nuca, criando uma trilha de arrepios invisíveis pela minha pele. E a firmeza inconfundível de sua ereção pressionando a base da minha coluna, deixando claríssima a intenção que seu corpo tem mesmo antes de sua mente despertar completamente.Meu corpo reage antes de a minha mente processar qualquer pensamento racional. É instinto puro, desejo acumulado e a necessidade de sentir que isso tudo é real, que este homem ao meu lado não é um sonho que vai se dissolver quando eu acordar de verdade.Viro lentamente na cama, encaixando meu quadril no dele com uma precisão que só vem da inti
Ethan DoyleVoltamos ao quarto quando o sol já se pôs completamente. Lara e a moça que contratamos estão na varanda, observando o oceano noturno. Retiro uma nota de cinquenta dólares e entrego como gorjeta e peço que ela deixe o seu contato para nossas contratações nos próximos dias. Vou para a varanda e vejo Lara retirar os abafadores. O som das ondas parece acalmá-la de uma forma que não esperava.— O mar faz barulho mesmo de noite — ela comenta quando nos aproximamos.— Faz. O mar nunca para.— Por que ele é azul?— Por causa da forma como a água reflete a luz do sol.— Mas agora não tem sol.— Verdade. À noite, ele é mais preto do que azul.— Eu prefiro azul.— Eu também.Ela vira o rosto levemente na minha direção.— Se o mar é azul de dia porque reflete a luz, ele também é calmo por dentro porque parece calmo por fora?A pergunta me pega desprevenido. É tão profunda e tão filosófica.— Nem sempre — respondo depois de pensar. — Às vezes o mar parece calmo na superfície, mas tem c
Ethan DoyleEu sorrio. Crianças têm essa intuição misteriosa, mas algo ativou um modo de defesa de Lara e, depois de muita conversa e deixar que o tempo passasse e ele entendesse que estaria ali, ela conseguiu sair de sua crise. Já era noite quando Helena entrou no apartamento e, quando a vi entrar e me ver tentando conversar com a filha que se escondia atrás de um jarro da planta da sala, senti medo.Depois de um dia em que a coragem minava dos meus poros, eu senti medo de que ela me achasse perigoso ao lado da filha. Que pensasse que eu causei a crise, temi que ela decidisse que eu não era bom ao lado daquela garotinha de olhos verdes que brilhavam sempre que me olhava.Meu coração estava acelerado como sempre acelera quando a vejo. Mas não há nada de recriminação em seu olhar, muito pelo contrário, acho que eu vi orgulho em seu olhar. Levantamos e fomos para a cozinha, quero tanto contar a ela o que aconteceu.— Oi — ela diz, e há uma pergunta não formulada em seus olhos. — Está tu





Último capítulo