Mundo de ficçãoIniciar sessãoNAMORADO DE MENTIRA • CEO BILIONÁRIO • PERDA DE MEMÓRIA • PROXIMIDADE COM A REALEZA • SEGUNDA CHANCE NO AMOR • ALFA PROTETOR • DRAMA MÉDICO • LEGADO FAMILIAR • Após perder a esposa para o câncer, Ethan Caldwell, um respeitado CEO londrino de 41 anos, decide abandonar tudo para ter um ano sabático e viajar pela Capadócia, o único lugar que nunca conseguiu visitar com o amor da sua vida. Mas o destino o surpreende com um novo recomeço quando um acidente quase fatal o deixa sem memória e à mercê de uma jovem desconhecida. Leyla Demir, uma turca de 23 anos, não esperava que salvar um estranho mudaria o rumo da sua própria vida. Quando ela estava quase sendo confundida como cúmplice de um crime, ela diz a primeira coisa que vem à mente: “Ele é meu namorado.” Agora, unida a um homem sem passado e um coração ferido, Leyla precisará ajudá-lo a redescobrir quem é, mesmo que isso signifique perder o que estão construindo juntos. Entre os balões coloridos da Capadócia, os silêncios que curam e os desejos que despertam, nasce um amor improvável, intenso e proibido pela diferença de idade, um amor que desafia o tempo, a memória e o destino. Mas quando o passado de Ethan retorna, ele precisará escolher: Honrar a lembrança de quem perdeu… ou lutar por quem o salvou.
Ler maisLeyla DemirA situação está ficando insustentável com tantas acusações. Dirijo-me até o meu supervisor, o enfermeiro-chefe Murat, um homem de cinquenta anos com olhos de falcão.— Murat, vou almoçar fora. Volto dentro do meu horário.Ele vê Cemal atrás de mim, seu rosto fechando-se em uma expressão de desaprovação.— Tem certeza, Demir? — pergunta, seu olhar significativo indo de mim para Cemal.Antes que eu possa responder, Cemal avança, sua voz ecoando no corredor:— Ela é uma vendida! Misturando-se com estrangeiros e humilhando a todos nós com esse relacionamento ridículo que inventou!A humilhação queima meu rosto. Sinto sua mão fechando-se em torno do meu pulso, puxando-me com força para que eu o encare. Seu toque é repulsivo.— Tire sua mão de mim!Então, em um segundo, a pressão desaparece. Um corpo alto e sólido se interpõe entre nós. Então, reconheço Adrian. Ele chegou sem eu o ver. Suas mangas estão enroladas até os cotovelos, revelando os tendões tensos em seus antebraços.
Leyla DemirA vida começou a correr ao meu redor com uma suavidade que eu já não acreditava ser possível. Os meses se transformaram em um fluxo tranquilo de dias, tingidos pela presença constante de Adrian.Para o mundo lá fora, ele é meu namorado dedicado, e ele se empenha nesse papel com uma seriedade que vai muito além da farsa. Traz flores em dias comuns, lembra de como tomo meu café, arruma a casa quando estou em plantões exaustivos. Às vezes, ao vê-lo na cozinha, concentrado em preparar uma refeição que descobriu ser minha favorita, esqueço que tudo começou com uma mentira dita ao vento e ao medo.Mas que mesmo assim, é somente uma mentira!Mas a esperança, aquela pequena chama que acreditava que suas memórias retornariam e que ele recuperaria sua verdadeira vida, começa a esmorecer. A cada dia que passa, o homem que ele era antes do acidente parece mais um fantasma distante, uma história não contada.E a pessoa que ele é agora, calmo, atento, incrivelmente hábil, se solidifica.
Adrian HarperA dor de cabeça é uma batida constante, um tambor abafado dentro do meu crânio que lembra a pancada que apagou tudo. Mas é o barulho dentro de mim que realmente me atormenta. Uma cacofonia de perguntas sem resposta. A convicção teimosa que se alojou no meu coração é que sou um homem honesto e bom. A sensação, mesmo sendo vaga, como o contorno de uma sombra familiar, ainda assim é forte. Mas me pergunto por que carrego uma fortuna em dinheiro vivo nos bolsos? Notas altas e algumas delas estão amassadas. Isso não combina com a sensação de “homem honesto”.Combina como se eu estivesse em fuga. Ou que seja um homem de negócios obscuros e perigoso.Lembro do momento exato antes do impacto, não é uma imagem, mas uma sensação. O volante sob minhas mãos suadas, a velocidade exagerada, o asfalto escorrendo como um rio negro. Não era um descontrole. Era uma decisão, era o que eu queria que acontecesse.A pergunta que me envenena é: por que eu estava tentando acabar com tudo?A le
Leyla DemirDeito na minha cama e a realidade do que fiz desce sobre mim como um cobertor pesado e úmido. A escuridão do quarto amplífica cada som, cada rachadura no teto que meu olhar busca. Como eu trouxe um homem desconhecido para dentro da minha casa.Um homem sem nome, sem passado, sem memórias. A Leyla enfermeira, pragmática e controlada, deu lugar a uma mulher que age por impulso, guiada por um desespero que nem ela mesma compreende totalmente. Soou como uma louca? Sem dúvida. Sinto-me como uma nesse momento.Os conselhos da minha mãe, enterrados no subsolo da minha alma, vêm à tona como um bálsamo envenenado. A voz dela, suave e cheia da sabedoria simples de quem veio de um vilarejo no interior, ecoa na escuridão: “Ajude aquele que o seu coração clamar. Talvez não veja agora, mas com o tempo verá se o seu coração estava errado ou não, e quase sempre ele nunca está.”Meu coração clamou por ele? Naquela estrada, sim. Clamou para salvar uma vida. Mas agora? Agora ele está na min
Adrian HarperO vazio é a primeira coisa que percebo. Não é escuro, nem assustador. É apenas… vazio. Um grande lençol branco e silencioso estendido onde costumava haver uma vida. Não lembro quem sou. Não lembro por que estava naquele carro. Nem lembro de um rosto que me seja familiar, um nome que ecoe com verdade, um lugar que eu chamasse de lar.A pergunta “se eu tenho uma família” paira no ar, um fantasma sem forma. Talvez, sim, talvez não. A indiferença com que contemplo essa possibilidade é a parte mais aterrorizante. Quem é o homem que não sente falta do que não conhece?Minha primeira memória, ou seria o primeiro sonho? É de uma pressão em meu peito, o cheiro forte de gasolina e queimado, e um par de olhos. Olhos cor de âmbar, profundos como mel, cheios de um desespero que cortava como uma faca.Ela me puxava para fora do metal retorcido, suas mãos firmes, sua voz um sussurro urgente e calmante. “Você vai ficar bem. Fique comigo.”Depois, os policiais. E a mentira dela. Eu ouvi,
Leyla DemirO cheiro do hospital ainda está colado na minha pele, um fantasma de antisséptico, suor e desespero. Minhas mãos, sobre o volante, tremem levemente. É um tremor residual, o eco de uma noite em que a Morte decidiu fazer sua colheita no meu turno.Um senhor de olhos bondosos e um coração cansado partiu silenciosamente às 3h47 da manhã. Eu segurei sua mão enquanto ele fazia a travessia. Foi um ato profissional, um dever, mas a sensação de pele que vai ficando fria, a vida que se esvai como areia entre os dedos, é algo que nenhum curso de enfermagem pode te preparar. A culpa, uma companheira venenosa, sussurra que eu poderia ter feito mais, visto algum sinal, lutado com mais ferocidade.Dirijo-me para casa sob um céu num cinza melancólico. A estrada está quase deserta. É nesse vácuo de som e movimento que vejo: um clarão à frente, um baque metálico que parece ecoar dentro do meu próprio peito. Dois veículos. Um deles, um sedã prata, capota uma vez, duas, e para de cabeça para
Último capítulo