Mundo de ficçãoIniciar sessãoDurante uma viagem à Capadócia, Yaman Karahan apaixona-se intensamente pela jovem Gönül. O relacionamento avança rapidamente, mas Yaman esconde sua verdadeira identidade: ele é o herdeiro de uma das famílias mais ricas e poderosas da Turquia. No entanto, ao pedi-la em casamento, ele é brutalmente rejeitado e humilhado por não ter "nada a oferecer". O que ele não imagina é que Gönül o trocou por um homem rico. Desiludido, Yaman retorna para casa decidido a nunca mais acreditar no amor, convencido de que as mulheres só se importam com o dinheiro. Mas o retorno à sua terra natal traz uma tragédia. No dia do casamento de seu irmão, Cihan, um atentado o deixa paraplégico. O atirador é Berte, herdeiro dos Yilmaz — a família rival com quem os Karahan mantêm uma histórica e sanguinária disputa por poder. Para evitar que seu pai execute uma vingança que destruirá a todos, Yaman toma uma decisão drástica: propor uma trégua definitiva através do casamento com Leyla, a irmã mais nova de Berte. Unidos por um matrimônio sem amor para estancar a violência de seus clãs, Yaman e Leyla terão que enfrentar ameaças muito maiores do que a rivalidade de suas famílias. E o passado não ficará enterrado por muito tempo: Yaman logo descobrirá que Gönül, a mulher que destruiu seu coração, e Leyla, sua nova esposa, são primas. "Hoje eu sangro por nossas famílias." "Sabemos que a mentira, um dia, se tornará verdade."
Ler mais— Merhaba! Senhor, você viu uma mulher de vestido vermelho cheio de lantejoulas com um véu azul na cabeça?
— Me desculpe, meu jovem, eu cheguei agora e não tinha mulher nenhuma aqui. — Teşekkürler! (Obrigado!) — Rica ederim. (De nada.) Yaman havia acabado de chegar à Capadócia. Assim que desembarcou no aeroporto da cidade, pegou um carro pequeno e parou em frente ao hotel de sua família. Foi quando viu uma mulher usando um vestido vermelho chamativo cheio de lantejoulas e um véu azul cobrindo o cabelo. Quando ele ia adentrando o hotel, a mulher lhe pediu ajuda. FLASHBACK — Meu jovem, pode me ajudar? — A voz da mulher em sua frente estava trêmula, embora conseguisse completar a frase. Suas mãos pressionavam o peito, como se tentasse arrancar uma dor lá de dentro. — O que a senhora tem? — Eu tenho... as... asma... — A senhora deve ter uma bombinha! A senhora tem uma? — Eu... esqueci em casa... Eu... achei que... — Tamam! Tamam! (Tudo bem! Tudo bem!) Eu vou lá dentro arrumar uma bombinha para a senhora! — Yaman falou se afastando, acenando para a senhora de vermelho esperar ali, e entrou desesperadamente. Mesmo entrando no hotel vestindo uma camisa verde e um jeans azul-marinho, um pouco desgrenhado e desesperado como se fosse um louco, o gerente logo o reconheceu: — Senhor... — Por favor, Murat! — Yaman o interrompeu antes que ele o tratasse formalmente. — Preciso que me arrume uma bombinha para asma, urgentemente. — O senhor está bem? — Murat, estou bem, não é para mim! — Ele até tentou começar a explicar a situação, mas não cabia naquele momento. — Por favor, pode ir buscar agora? — Sim, senhor! Murat correu adentrando o hotel, enquanto o jovem esperava ansiosamente, orando a Allah para que o gerente voltasse logo. Afinal, a vida de uma mulher estava em risco. Não demorou muito e Murat voltou com a bombinha, entregando-a nas mãos de Yaman, que a pegou e saiu correndo sem dar chance de o homem fazer outra pergunta. Mas, quando chegou ao lado de fora, não encontrou ninguém. Na verdade, não encontrou nada, exceto por um senhor que estava acabando de desligar o celular. Yaman não queria acreditar no que estava acontecendo naquele momento. Não só a mulher de vermelho havia sumido, mas as suas malas também tinham desaparecido! Olhou para todos os lados — esquerda, direita, à frente e atrás. Ele girava no mesmo lugar, incrédulo. Tinha sido roubado. FIM DO FLASHBACK — Allah? Allah!! O senhor a quem pedira informações sobre a mulher já havia saído dali. Yaman andou um pouco mais, afastando-se do hotel para ver se enxergava a desconhecida, afinal ela vestia algo muito chamativo. Naquele momento, ele se encontrava completamente atordoado. Em suas malas estava tudo o que tinha: celular, cartões de crédito, dinheiro, roupas e, claro, seu passaporte. Estava tão perdido, passando as mãos na cabeça e olhando de um lado para o outro, que acabou esbarrando e derrubando uma jovem que passava por ali. — Ai! Cuidado! Olha por onde anda, moço! Ele saiu de seus devaneios quando percebeu que a voz vinha da mulher que estava caída no chão. Rapidamente se moveu para ajudá-la, estendendo a mão para que ela se levantasse. — Me desculpe, senhorita! Não foi minha intenção! — Tudo bem! — ela respondeu, perdoando-o enquanto tentava limpar a sujeira da calça branca. Logo percebeu que era uma perda de tempo; apenas uma lavagem resolveria. — Mas, da próxima vez, tenha cuidado e olhe por onde anda! — Sim, senhorita, eu... — A voz dele sumiu no meio da frase ao se deparar com tamanha beleza. A jovem que esbarrara nele tinha longos cabelos loiros e ondulados que iam até os ombros. Sua pele clara combinava perfeitamente com os olhos azuis como o mar, incrivelmente bem desenhados. Seus lábios eram sedutores, carnudos e perfeitos. Pela primeira vez na vida, Yaman se viu completamente encantado por uma mulher. Acompanhava os movimentos que ela fazia ao limpar a calça enquanto dizia algo. Os lábios dela se moviam, mas ele não ouvia som algum, como se estivesse em transe. — Sim, senhorita, eu... — A voz dele sumiu no meio da frase ao se deparar com tamanha beleza. A jovem que esbarrara nele tinha longos cabelos loiros e ondulados que iam até os ombros. Sua pele clara combinava perfeitamente com os olhos azuis como o mar, incrivelmente bem desenhados. Seus lábios eram sedutores, carnudos e perfeitos. Pela primeira vez na vida, Yaman se viu completamente encantado por uma mulher. Acompanhava os movimentos que ela fazia ao limpar a calça enquanto dizia algo. Os lábios dela se moviam, mas ele não ouvia som algum, como se estivesse em transe. — Ei! Está me ouvindo? — A voz dela, alta e chamativa, fez com que ele voltasse à realidade. — Você pode repetir, por favor? — Você é novo aqui, não é? — Dá para perceber? — Bom, não é todo dia que vemos um cara usar uma camisa escrita "Eu amo Nova York". — Ela apontou para a camisa dele e depois para o redor. — A Capadócia é um pouco mais tradicional quanto aos hábitos dos moradores. — Mas você está vestida com roupas modernas! — Mas estou usando meu véu! — Ela mostrou o véu bege enrolado no pescoço, algo que, se ela não tivesse mencionado, ele nem teria notado até então. — Ah, desculpe! — Tamam! As mulheres daqui não costumam sair sem o véu na cabeça. Mas me diz aí: por que você estava tão distraído? — Eu acabei de ser roubado! — Deixa eu adivinhar... Você acabou de chegar, desceu em frente ao Hotel Palace? — Sim, eu... — Foi por isso que te roubaram. Isso acontece muito aqui. Sabe, esses ladrões ficam sempre em frente a hotéis luxuosos como este. Na maioria das vezes, é uma senhora ou um idoso dizendo que está passando mal. Quando as pessoas vão pedir ajuda ou buscar algo, eles aproveitam para roubar as malas dos turistas. — Isso acontece com frequência?! — Evet... — respondeu ela, colocando as mãos nos bolsos. — Principalmente se você estiver em frente a este hotel. O Palace é o maior e melhor hotel de luxo da Capadócia. Eu nunca entrei lá, é claro, mas dizem que a arquitetura é muito luxuosa e que até algumas coisas são feitas de ouro. E o principal: pertence a uma família muito poderosa e rica de Istambul. — Nossa... — Olha, eles pensaram que você fosse um cara rico, por isso te roubaram! Mas eu posso te ajudar.O eco do grito de Leyla ainda parecia tremer nas paredes de mármore do quarto de hotel. A respiração dela vinha em golpes curtos e desordenados, os cachos escuros e volumosos grudados à testa suada. Diante da cama, a imagem de Yaman descalço, segurando o copo de uísque com a mão enfaixada pelas ervas, trazia um contraste brutal entre a alucinação do sonho e a realidade física daquele homem.— Do que você está fugindo, Leyla? — perguntou Yaman em um sussurro sombrio, dando um passo lento em direção à cama.Leyla engoliu em seco, tentando sufocar o tremor que percorria seu ventre e suas pernas. A lembrança do toque imaginário dele ainda queimava sob sua pele, mas sua mente buscou um escudo rápido para esconder a vergonha e a confusão do desejo inconsciente. Ela desviou o olhar para as próprias mãos trêmulas sobre o lençol.— Eu... eu sonhei com a estrada — mentiu ela, a voz ligeiramente embargada, perfeitamente convincente em seu desespero simulado. — Eu sonhei com os olhos de Doğan. El
— Saia, Sıla... por favor — murmurou Cihan, sem olhar para ela, a voz embargada. — Eu não quero que você perca a sua juventude cuidando de um inválido. Você não merece essa vida.Sıla ergueu a mão e acariciou a face de Cihan com infinita ternura, o olhar brilhando com o que parecia ser uma devoção incondicional.— Nunca mais repita isso, Cihan — sussurrou ela, os olhos marejados com uma encenação impecável. — Você é o meu marido, o meu homem. Eu prometi diante de Deus e da sua família que estaria ao seu lado. Meu lugar é aqui, cuidando de você, garantindo que nada de mal te aconteça. Não importa quanto tempo leve a sua recuperação, eu nunca vou desistir de nós.Cihan olhou para ela, o coração derretendo-se diante de tanta lealdade. Ele puxou Sıla para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela.— Eu não sei o que seria de mim sem você... — confessou ele, lágrimas silenciosas escorrendo por seu rosto.— Você nunca precisará descobrir — respondeu Sıla, retribuindo o abraço c
Leyla soltou o ombro de Yaman e deu dois passos em direção a Doğan, que estava caído no asfalto, sangrando e arfando de dor. O olhar de Leyla sobre o ex-namorado era de pura repulsa e desprezo absoluto. — Você é desprezível, Doğan — disse Leyla, a voz soando cortante e firme na escuridão da estrada. — Você mentiu. Inventou uma sujeira para tentar ferir o orgulho de um homem, porque sabe que nunca foi metade do homem que ele é. Você nunca me tocou. A história que existiu entre nós morreu no momento em que entendi a sua pequenez. Doğan olhou para ela com os olhos inchados, tentando balbuciar algo. — Escute bem o que vou te dizer — continuou Leyla, dando um passo à frente e segurando a mão de Yaman, que se erguera do chão. — Eu sou a mulher de Yaman Karahan. Eu pertenço a este homem e à casa dele. E aquele anel miserável de prata que você me deu... eu o joguei nas profundezas do mar do esquecimento em Mardin! Você não é nada. Você é um fantasma que não existe mais. Doğan encarou o
O vento do final de tarde sobrava frio e úmido vindo das águas do Bósforo, mas o ar no parque isolado no coração de Istambul parecia sufocante. Leyla estava de pé sob a copa de uma árvore centenária, trajando um conjunto discreto de caimento fluido. Seus 26 anos lhe conferiam uma postura ereta, consciente de sua própria força e da gravidade de cada palavra que pronunciava. Diante dela, Doğan parecia a sombra desesperada do homem que ela um dia julgou amar. — Leyla, por favor! — implorava ele, tentando dar um passo à frente, as mãos trêmulas estendidas no ar como se pedisse esmola. — Eu sei que você foi forçada! Eu sei que aquele monstro dos Karahan te comprou! Nós podemos fugir hoje à noite! Eu vendo tudo o que tenho, nós mudamos de nome, vamos para a Europa... Leyla sentiu uma pontada lancinante no centro do peito. Era a dor agônica de ver o passado que ela tanto idealizara ruir diante de seus olhos. Mas o sangue dos Yilmaz corria em suas veias, e a sabedoria ancestral que aprende





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