passeio de balão

Já havia se passado uma semana desde sua chegada à Capadócia. Yaman já não se sentia tão chateado pelo roubo que sofrera assim que pisou na cidade; na verdade, poderia até dizer que estava bastante agradecido pelo ocorrido. Afinal, fora assim que conhecera Gönül — a quem começara a chamar secretamente de sua heroína.

A cada dia ao lado dela e de sua mãe, mais impressionado, ele ficava. As duas o acolheram no quarto de hóspedes que costumavam usar para obter renda extra e manter a casa. Gönül até o acompanhou à delegacia para prestar queixa sobre o furto cometido pela mulher que fingira passar mal.

Como seu novo passaporte demoraria alguns dias para ficar pronto, querendo ou não, ele teria que permanecer na cidade. Sem "dinheiro", decidiu arrumar um emprego para ajudar as duas mulheres. No primeiro momento, elas relutaram e disseram para ele guardar o que recebesse, mas Yaman as convenceu de que era sua forma de agradecer por tudo. Afinal, acrescentou ele, não era todo dia que as pessoas praticavam esse tipo de bondade em um mundo tão cruel.

Assim, conseguiu um trabalho como baloeiro, levando turistas para os passeios de balão — a atração principal da Capadócia. Não foi difícil aprender, já que não era sua primeira vez ali; fizera muitas viagens à região com a família e o irmão durante a adolescência. Por ironia do destino, as Empresas Karahan tinham sociedade com a frota de balões do local. Desse modo, o herdeiro acabou trabalhando como empregado de sua própria empresa. Ele apenas pediu a Ali, o gerente do lugar, que não revelasse sua verdadeira identidade, e o homem respeitou a decisão do patrão, instruindo os demais funcionários a fazerem o mesmo.

A cada dia que passava, Yaman e Gönül ficavam cada vez mais próximos. Ela o levava a restaurantes pequenos, de comida saborosa e donos acolhedores. Tudo isso só confirmava o que ele já sentia: não estava apenas encantado por aquela garota, mas completamente apaixonado por sua heroína.

Por isso, resolveu criar coragem e declarar seus sentimentos.

— Cheguei! — disse Gönül ao entrar, vendo o rapaz que fizera amizade com o gerente.

— O Ali me deu folga hoje. Disse que o movimento está fraco e que os turistas já estão indo embora.

— Deu para perceber mesmo. A época de férias acaba na semana que vem. As pessoas vão voltar ao trabalho e os jovens, à rotina escolar. O que é bom e ruim ao mesmo tempo.

— Como assim?

— Bom porque haverá muitas pessoas para eu levar ao aeroporto, mas ruim porque o número de passeios como este vai diminuir.

— Agora entendi — disse ele, dando um sorriso fraco. — Vai me levar para passear de balão?

— Se você aceitar, senhorita!

— Eu aceito! — ela respondeu com um sorriso meigo e divertido, fazendo-o sorrir também.

E lá estavam eles no ar, contemplando a cidade lá do alto, tão distante do chão e tão perto do céu. Quando se leva turistas para passear de balão, quase não dá para prestar atenção na beleza da paisagem ou no quanto a experiência é maravilhosa; afinal, o baloeiro precisa se preocupar em controlar o gás, o fogo, o balão e, acima de tudo, manter todos em segurança. Mas, daquela vez, era diferente.

Gönül estava linda. Usava calça, uma bata larga e, como de costume, o véu solto ao redor do pescoço. Yaman começara a notar que ela não seguia à risca os costumes locais: a maioria das mulheres na Capadócia optava por vestidos tradicionais e mantinha o véu cobrindo a cabeça o tempo todo. Poucas desafiaram essas convenções, e Gönül era uma delas. Mas isso não o fazia mudar de ideia ou deixar de amá-la.

— Gönül?

— Evet? (Sim?)

Ela tirou os olhos da paisagem ao redor e direcionou a atenção para Yaman, que se aproximou até ficar a poucos centímetros dela.

— Quando vim para a Capadócia, minha ideia era passar apenas uma semana. Queria ficar um pouco sozinho, longe da vida agitada de Istambul. Mas o que eu não esperava era ser enganado por aquela senhora e roubado logo no primeiro dia... No entanto, tudo mudou quando você apareceu para me salvar. Desde aquele momento, eu a vejo como minha heroína.

— Eu? Sua heroína? — ela perguntou, sem acreditar no que ouvia.

— Vou ser sincero com você: desde o primeiro dia, achei você a mulher mais linda do mundo. Fiquei encantado com a sua beleza, mas foi a sua atitude, o seu jeito e tudo o que fez por mim que me fizeram me apaixonar.

— O que você está tentando dizer?

— Gönül, estou apaixonado por você!

Ela ficou sem reação, como se o mundo tivesse parado naquele instante. Estava realmente ouvindo direito? Yaman declarou que estava apaixonado por ela?

É claro que não era a primeira vez que ouvia aquelas palavras. Gönül não era ingênua; sabia muito bem que sua beleza chamava a atenção, especialmente dos rapazes. No ensino médio e na faculdade, recebera muitas propostas de namoro, mas nunca as levara a sério porque seu foco sempre esteve nos estudos.

Agora, porém, a situação era outra. Não era mais uma adolescente e já sustentava a si mesma. E não podia mentir para si mesma: Yaman era um homem extremamente atraente

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